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Arthur Maia faz um balanço geral, fala de Wagner, Geddel e do futuro

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Pela primeira vez na imprensa escrita de Bom Jesus da Lapa, o deputado estadual, Arthur de Oliveira Maia (PMDB), faz um balanço das mudanças na “capital baiana da fé”, desde sua chegada em 1992 para transformar a história do Município. Convicto de que já completou um ciclo como deputado estadual, agora ele quer ser um dos representantes do povo da Bahia na Câmara dos Deputados, em Brasília. Otimista, ele diz não entender por que algumas pessoas que fazem oposição a ele em Lapa sentem tanto ódio.

Visto - O senhor pode fazer um balanço desses anos todos, desde sua eleição como prefeito de Bom Jesus da Lapa?

Arthur Maia - Olha, acho que a obra mais importante que fiz foi, ao assumir a Prefeitura, dar a ela os traços de poder publico. Existia em Bom Jesus da Lapa um desmando administrativo que não condizia com o real sentido da administração. Fui o primeiro prefeito a realizar concurso público, fiz a municipalização da saúde que era centralizada em Brasília, a municipalização do Hospital Carmela Dutra, construí as primeiras casas populares e o mais importante, dei ao servidor público todas as garantias que ele não tinha até então; acabamos com as escolas debaixo de árvores na zona rural. Para se ter uma idéia, o setor de Educação só oferecia 14 salas de aula. Fizemos mais de cem salas na nossa administração. Abrimos a Avenida José de Carvalho que une o centro aos bairros como o são Gotardo, Amaralina, São João e aqueles que se formaram mais adiante. Tudo isso nós fizemos com recursos próprios, pois o Governo na época não oferecia recursos para os municípios como oferece hoje, também porque fazíamos oposição ao carlismo. E aquele momento foi muito importante, porque foi feita a primeira ponte unindo a Bahia à Bahia, porque antes era muito difícil.

V - Por que o governo Nilzo Maciel, que o senhor apoiou, não deu certo como o seu?

AM - Veja bem, o Dr. Nilzo Maciel é uma pessoa de um humanismo e uma humildade inquestionável. E do ponto de vista de obras, ele realizou muita coisa, escolas, enfim... O problema na sua administração foi por falta de comando, como todo administrador deve ter, também porque não soube promover o entendimento entre aqueles que trabalhavam em sua administração. Talvez ele não tenha tido o pulso firme que um administrador deve ter. Por isso, nosso grupo acabou perdendo a eleição seguinte para Brandinho, que fez um governo muito semelhante ao de Nizo. Naquela época, não participei do processo político, porque resolvi me candidatar a Prefeito em Salvador, de forma que não tive qualquer influência no processo eleitoral em Bom Jesus da Lapa. O saudoso Hildebrando passou pelos mesmos problemas enfrentados por Dr. Nilzo, houve muito desmando, fez uma administração fraca, tanto é que depois elegemos Roberto Maia, que fez a melhor administração que essa cidade já teve e foi bem avaliado pela população que o escolheu para o segundo mandato.

V- A que o senhor atribui esse volume de obras das duas administrações de Roberto Maia?

AM - Primeiro, deve-se observar que o prefeito é um administrador consciente e exerce um comando adequado, de forma que seu secretariado trabalha em harmonia Todas essas obras, como o saneamento nos bairros e agora o da lagoa do São Gotardo, isso se deve principalmente à amizade que nós temos com o ministro Geddel Vieira Lima, também porque a Prefeitura tem projetos e por ser uma das poucas no Estado que sempre anda com as contas em dia, isso facilita a avaliação a nível federal.

Estão chegando obras como a UPA, as mil casas populares do Programa Minha Casa, Minha Vida, o IFBAIANO. Veja bem, agora em março, fui convidado para a aula inaugural do IFBA, no Cenfor, no dia 1º de março. Vale lembrar que o prefeito doou o prédio do Cenfor para IFBA que terá o campus urbano. Então, temos uma faculdade federal com um campus no Projeto Amanhã, cuja área foi doada pela Codevasf à Prefeitura, que por sua vez doou ao Ministério da Educação, para cursos agrários, e o campus urbano para cursos como o superior de processamento de dados, que terá início em março. Isso é muito importante. O prédio do Cenfor vai ser ampliado, ocupando a área do ginásio de esportes, que está parado há muitos anos. É um grande avanço para Bom Jesus da Lapa. Vão ser mais de 3 mil estudantes universitários, com as primeiras turmas sendo formadas desde já. Vamos ter milhares de jovens fazendo universidade. Essa é uma conquista da qual eu me orgulho profundamente.

V - Por que o senhor hoje é um dos principais críticos do governo Wagner?

AM - Todos sabem que Jaques Wagner é uma pessoa humana de bom relacionamento. É um cidadão que prezo muito. Mas a verdade é que nesse governo ele não fez nenhuma obra importante, absolutamente nenhuma. As estradas estão péssimas; em Bom Jesus da Lapa a única obra a ser concluída foi a Praça Marechal Deodoro, que foi uma emenda minha no orçamento. Mas o frigorífico nem começou. A prefeitura doou o terreno mas o governo não fez ainda. O campus da Uneb também teve terreno doado pela Prefeitura e não começou ainda, o laboratório foi construído pela Prefeitura e os equipamentos, que são da contrapartida do governo baiano, não chegaram ainda, a ferrovia do oeste continua no papel, de forma que não dá para apoiar um governo desses. É preciso que haja uma série de ações administrativas que projetem o governo, mas não vemos isso no Governo Wagner. Rigorosamente, nada foi feito. Estamos apoiando Geddel porque ele que tem trazido as obras para a Lapa e para os municípios baianos.

V - Por que o senhor quer se candidatar a deputado federal?

AM - Acredito que meu ciclo na Assembléia Legislativa da Bahia já está completo. Como deputado federal, vamos poder ter uma maior participação política, para trazer benefícios para a Bahia. Uma das metas é trazer o hospital regional para Bom Jesus da Lapa. Acreditamos na eleição de Geddel para o governo, então, como deputado em Brasília, e tendo uma pessoa que verdadeiramente trabalha no governo, confio que poderemos trazer muito mais benefícios para Bom Jesus da Lapa e para os municípios que confiam e reconhecem nosso trabalho. E sou uma pessoa bastante otimista. Tudo em minha vida é pautado no otimismo. É por isso que Roberto está na segunda gestão e preside a UPB, é por isso que vamos buscar mais oportunidade para todos atuando em Brasília, mais perto das negociações.

V - Por que algumas pessoas que foram seus companheiros na sua gestão, como secretários, ou fizeram parte da gestão de Nilzo, hoje são seus adversários?

AM - Secretários de minha gestão, não lembro de algum que seja adversário político hoje. Na gestão de Nilzo, quem hoje é oposição é porque cada um sabe qual seu caminho na política. Há apenas uma questão que não entendo: o porquê de tanto ódio. Se temos provado que sabemos administrar e dar uma qualidade de vida ao povo de Bom Jesus da Lapa, por que o ódio de alguns? Realmente eu não consigo compreender isso.

V - Fale de Geddel?

AM - Bem, Geddel é amigo de infância. Conheço desde menino a bondade, o senso de justiça e a capacidade do ministro Geddel Vieira Lima. Não é por acaso que ele é um dos ministros mais importantes do governo Lula. Ele tem o que é fundamental para um líder, que é senso de justiça, de organização e vontade de administrar políticas públicas. Estamos juntos com ele na caminhada para o governo da Bahia, pois só assim vamos ver efetivamente esse estado melhorar.

V - Por que o senhor quer a dobradinha com Ivana Bastos?

AM - Ivana, além de ser uma amiga também desde a juventude, é uma pessoa maravilhosa, com um trabalho social invejável na região de Guanambi. Ela já disputou três eleições para deputada federal, na última, teve 36 mil votos, mas por conta de legenda, não foi eleita. Então, vamos apoiar e receber o apoio de Ivana. Queremos ocupar a vaga de Geddel na Câmara Federal, enquanto Ivana pode ocupar a minha em Salvador.

V - Para finalizar: ser deputado federal é a metade do caminho dos seus sonhos na política?

AM - Como já disse, minha vida é sempre pautada no otimismo. Chegar a Brasília como deputado federal é um próximo passo. O futuro, só Deus pode conhecer. O que quero é servir ao meu estado como venho servindo ao povo de Bom Jesus da Lapa, com muita alegria, sempre buscando de maneira otimista contribuir para o desenvolvimento. Esse é o meu sonho e o de todos que têm um propósito na vida e desejam compartilhá-lo com a coletividade.

 

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