
José Emanoel Virgino é jornalista e editor chefe do Semanário Visto

Nem todas, claro - edição 177
Elas são classificadas como: indispensáveis, lindas, barangas, chatas, queridas - nem todas, claro -, neuróticas, feias, gostosas, burras, inteligentes, infernais, amáveis, terríveis, complacentes - nem todas, claro -, piedosas, solidárias, bregas, atrapalhadas, loucas, traiçoeiras, temidas, diabólicas, fúteis, intelectualizadas - nem todas, claro -, insuportáveis, metidas, intransigentes, elegantes, vaidosas, apaixonadas, brigonas, protecionistas, inconvenientes, avassaladoras, submissas, vingativas - nem todas, claro -, desiguais, superiores, vis, baixas, altivas, insistentes, conquistadoras, guerreiras, trabalhadoras, desesperadas, equilibradas - nem todas, claro -, santas, periguetes, putas, confiáveis, espertalhonas, abandonadas, bandidas, acanhadas, lésbicas... enfim, são esses e muitos outros adjetivos com que os homens costumam classificar as mulheres, mas só um cabe a todas elas de forma incondicioal e inquestionável. É o fato de serem maravilhosas em qualquer tempo, qualquer condição e qualquer lugar. Parabéns a todas as mulheres, que são a principal razão para a existência humana no planeta terra.
Geddel sem capacete, uma polêmica - edição 176
A maior polêmica da última semana de fevereiro foi sem dúvida a foto do ministro Geddel Vieira Lima na garupa de uma moto, sem usar capacete, publicada no Visto e no portal iVisto em primeira mão. A imagem foi captada no dia 20, durante a visita a Bom Jesus da Lapa. O site Bahia Notícias exagerou no comentário, ao afirmar que o pré-candidato ao governo da Bahia pelo PMDB teria cometido “infração gravíssima” de trânsito, segundo o código nacional. Geddel desculpou-se no seu twitter e disse que esperava ser punido.
É evidente que o ministro não vai ser punido tampouo perderá pontos em sua carteira. Ele foi transportado num percurso de 500 metros por um popular, quando centenas de motos também transportavam outras pessoas no mesmo local. Se alguém tivesse que ser punido, seria o motociclista, mas não havia guardas fiscalizando o trânsito naquele momento, de forma que a questão ficou apenas na polêmica.
Para reforçar as explicações, o site Consulado Social [http://www.consuladosocial.com.br/?paged=2] consultou o Código Nacional de Trânsito e mostrou porque o ministro não seria punido, mesmo tendo sido transportado de forma irregular, juntamente com Arthur Maia, Roberto Maia e Ivana Bastos, que subiram na garupa de outras motocicletas.
Na verdade, quem mais saiu lucrando com a publicação foi o ministro, que viu seu nome ganhar muito espaço na mídia por todo o Brasil, inclusive em programas populares de televisão, como o Balanço Geral, de Raimundo Varela e Se Liga Bocão. Bom Jesus da Lapa, através do Visto, também esteve ocupando o noticiário. Isso é muito importante pois as personalidades sempre tiram proveito de questões que “dão o que falar”, principalmente porque o povo passa a identificar o personagem como alguém do seu meio, ou seja, capaz de agir com simplicidade e, de certa forma, com alguma irresponsabilidade informal, no bom sentido.
A questão do IDEB/Lapa - edição 175
Os esforços do governo federal para melhorar a educação do povo brasileiro vão surtindo efeito a cada ano. A região nordeste é onde o índice de desenvolvimento educacional sempre foi baixo, e a Bahia sempre foi uma das campeãs neste quesito. A cada nova pesquisa, o estado evolui um pouco mais. Bom Jesus da Lapa, como não podia ser diferente, acompanha o gráfico baiano. No entanto, o vereador Miguel Leles (PHS) equivoca-se quando afirma que o IDEB de Bom Jesus da Lapa é o menor dentre todas as cidades baianas. Ele fez a afirmação durante a sessão de inauguração dos trabalhos da Câmara de Vereadores, no último dia 18, na condição de líder da bancada de oposição.
IDEB significa Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o qual é colhido segundo os resultados da Prova Brasil , um sistema que serve para avaliar os alunos da 4ª e da 8ª séries. A última divulgação do MEC (Ministério da Educação) saiu em junho de 2008 e dentre as 20 cidades menos classificadas no Brasil, quatro são da Bahia: Irajuba, Floresta Azul, Itapitanga e Conceição de Almeida.
Na verdade, Bom Jesus da Lapa posiciona-se à frente até mesmo da capital do Estado, Salvador, com um índice de 2,9 contra 2,2 da capital, no referencial dos alunos da 8ª série, e 3,0 contra 2,9 na amostragem dos alunos da 4ª série. Tudo isso ocorreu num período em que o índice melhorou em 25,9% na Bahia enquanto que no Brasil, de uma maneira geral, melhorou apenas 10,5% entre 2005 e 2007.
Outra demonstração do avanço da educação em Bom Jesus da Lapa é o fato de que no período de avaliação, a “capital baiana da fé” fazia parte de um universo em que apenas 17% do professorado possuíam diploma universitário, contra 91% de educadores soteropolitanos do ensino fundamental com certificado de curso superior, ou seja, é uma diferença muito grande para um índice menor do que o de Lapa e muitas cidades do interior.
Levando-se em consideração que o Município nos últimos três anos incentivou os servidores em educação a cursar a faculdade, por meio do sistema EAD (Educação a Distância), a tendência é que nas próximas medições, que estarão sendo divulgadas ao término do primeiro semestre de 2010, Bom Jesus da Lapa poderá sair melhor avaliada.
Visto em Riacho de Santana - edição 174
Otimismo, auto estima e espírito empreendedor são o tripé que leva qualquer indivíduo a fazer sucesso em seus negócios. Isso nem sempre significa ganhar muito dinheiro, mas, resulta em reconhecimento e equilíbrio naquilo que faz, principalmente se o ofício atinge o maior número de pessoas possível, sempre em benefício da coleticidade.
Acreditamos que o Visto é um jornal com tal perfil, devido ao caráter social que tem, enquanto “empresa cidadã”. E graças aos leitores, que são a principal clientela, porque podem ver nossos anunciantes - que são parceiros.
Hoje, somos unanimidade e, infelizmente, sem concorrência em Bom Jesus da Lapa.
Desde o início de nossas atividades, cidadãos de municípios vizinhos a Bom Jesus da Lapa questionam quando vamos chegar com edições locais a Serra do Ramalho, Sítio do Mato ou Paratinga.
A partir deste mês de fevereiro, isso já será uma realidade, com o lançamento da edição do Visto Riacho. A cidade irmã terá uma vez por mês uma edição local com as características do Visto Lapa. Devemos esse início de expansão à comunidade riachense que conhece nosso produto, e sempre almejou ter o próprio jornal circulando nos lares e no comércio.
Somos gratos a todos os empresários que compraram a idéia, também ao poder público de Riacho de Santana, sob o aval da autoridade máxima, prefeito Tito Eugênio Cardoso de Castro, e das demais entidades preocupadas com a cultura, a educação e o crescimento de uma das cidades mais belas e acolhedoras do Vale do São Francisco. Viva Riacho de Santana, a mais nova parceira da comunicação do Visto.
O “vilão” da história - edição 173
Com a mesma facilidade que sobe aos céus, desce às profundezas dos infernos, basta o leitor agradar-se ou não de uma matéria, um artigo ou comentário. Esta é a dura realidade do jornalista. Um fato não se discute: quem aprecia o tema fica ansioso para ler a próxima edição e tirar suas conclusões. Outra questão em evidência é o velho estratagema de se exigir “retratação”, quando um ou outro cidadão se sente ferido. No entanto, a função do jornalista é mostrar os fatos.
Não é de hoje que observo pessoas tecerem comentários elogiosos sobre a linha editorial do Visto. Tudo são flores até que uma frase põe o dedo na ferida. Aí o editor se torna vilão. Exercer o jornalismo em cidades pequenas é sempre uma missão difícil. Ao mesmo tempo que os leitores ficam, de certa forma, fascinados com as novas e surpreendentes matérias, muitas pessoas não conseguem assimilar a realidade da notícia e pensam que o veículo age por maldade ou falta de coerência.
Na verdade, o Visto observa o que todo mundo vê. A diferença é que acaba reforçando os comentários nas rodinhas de mesa de bar e nas esquinas, o que é seu papel. Isso foi bastante visível nos dias de pré-carnaval, mesmo com alguns fatos tendo passado em branco para esta publicação.
Queremos deixar claro que o trabalho do Visto durante a festa momesca não foi partidário de nenhum bloco. O que toda a clientela dos blocos experimentou foi transmitido no jornal. Na verdade, o Paquera tem uma tradição capaz de tornar foliões apaixonados pela marca Paquera. O que não se pode dizer do Bloco 10, que está começando.
Tanto o Paquera quanto o Bloco 10 contrataram os serviços do Visto, que publicou propaganda na capa nas semanas antecedentes à última edição antes da festa, de forma que o relacionamento comercial existe com as duas agremiações.
As fotos tiradas nos dois camarotes bem como na pista foram publicadas gratuitamente no site do Visto [http://www.vistonet.com.br] e estão lá para quem quiser conferir a imparcialidade deste jornal.
Cometou-se pela cidade que Jusmari Oliveira pagou 3 mil reais, não sabemos a quem, para subir no trio, outros dizem que foi 5 mil reais. A verdade, só quem participou diretamente da questão para saber. Comentou-se, ainda, que depois da passagem do Cheiro de Amor, Arthur Maia teria brigado com Lecão em cima do camarote do Bloco 10. Eu estava lá e não presenciei isso, apesar de ser visível a irritação do deputado, depois de ver Jusmari e Oziel rindo lá de cima.
Enfim, o espaço do Visto está sempre aberto para quem se sentir ferido, lesado ou ofendido. Na verdade, havendo esclarecimento, é sempre bom.
No entanto, acreditamos que um veículo de comunicação funciona sempre como “bode expiatório” ao qual costuma-se lançar todas as culpas. Nós, jornalistas que na maioria dos casos quando envelhecemos costumamos levar para a cova muitas culpas que nos são atribuídas, estamos calejados. E não se enganem: jornalistas morrem pobres e ignorados. Mas... Bola pra frente.
Novas secretarias, novas missões- edição 172
A Câmara de Vereadores aprovou o projeto do Executivo que propunha a divisão da Secretaria de Agricultura. Com a medida, foi criada a Secretaria de Meio Ambiente, bem como a Secretaria do Interior. É mais um passo que a Prefeitura dá para melhorar o atendimento ao homem do campo, e se preocupar com o ambientalismo.
Bom Jesus da Lapa é uma das cidades do médio São Francisco com perdas irreparáveis na sua flora, devido aos longos anos de exploração das carvoarias. Para o ecossistema, isso é uma agressão sem limites.
Espera-se que os novos secretários tenham estrutura e condições de trabalhar efetivamente, porque o Município é muito grande e com diversos problemas na área rural.
Na área urbana, a maior preocupação é a poluição do Velho Chico. Não bastam apenas campanhas de conscientização. É preciso um trabalho conjunto com a Secretaria de Obras, para transformar os locais mais críticos, como o bairro Nova Brasília, na beira do rio, que acumula lixo pelos becos.
Uma boa idéia é pegar o pessoal ocioso que está lotado na Prefeitura e transformá-los em “fiscais de limpeza” ou “fiscais do lixo”, ou seja, espécies de olheiros que andassem com talões para multar os cidadãos infratores. Fora isso, que tal incentivar em cada esquina mecanismos de coleta seletiva?
A cidade está merecendo maiores cuidados.
Num tempo em que se fala exaustivamente de revitalização, os moradores continuam sem entender o que significa isso. A maioria imagina que apenas com a rede de esgoto o problema vai se resolver. Se continuarem acumulando lixo nos terrenos baldios, quando vier uma chuva, os esgotos vão ficar entupidos. Qualquer pessoa sabe disso.
Que o novo secretário do meio ambiente tenha sensibilidade para cativar a população e mudar o aspecto da cidade.
Carnaval e escombros - edição 171
O “grande teatro do mundo”, conforme imortalizou Calderon de La Barca em peça homônia, nesta semana continua apresentando as velhas cenas de todos os anos. Em 2010 o palco do drama é o Haiti. Júnio Batista, jovem pedagogo, escreveu um artigo alusivo ao sofrimento no Haiti e no BBB, que publicamos na página 9 (confira). Por isso, decidimos discorrer um pouco sobre o tema mais os carnavais.
É assim o mundo maravilhoso globeleza: tome-lhe enchente, tome-le deslizamento de terra, tome-lhe falcatruas e tome-lhe Haiti. A cara dos apresentadores segue o padrão de tristeza, indignação e alegria, neste caso, quando mostram as festas intermináveis da casa do BBB.
O Haiti não tem carnaval este ano, também as festas de Vodu escassearam-se no país pobre e explorado pelos franceses durante séculos. A imprensa mundial, porém, tem ótimas pautas para explorar. Artistas de Hollywood aproveitam para anunciar que fizeram suas doações milionárias para os sobreviventes de Porto Príncipe, e prontamente aparecem nas maiores revistas do Planeta, cheios de glamour, valorizando ainda mais seus cachês. Mas, colocar o pé no Haiti para dar ajuda com a mão na massa, nem pensar! Melhor desembarcar no Rio de Janeiro, como convidados dos camarotes milionários.
Em meio a tanta dor e choro mundo a fora, em Lapa também se vive um pré-carnaval bem alegre para enxugar as lágrimas pelo sofrimento em memória dos haitianos. Como diz a propaganda de um bloco, um dos artistas contratados “vai tirar o couro de vocês”. É verdade que em Lapa o carnaval é pobre em relação a Salvador, mas, literalmente, “tira o couro” dos foliões que querem participar da tropa de elite. E quase ninguém doou dez reais para ajudar na recuperação do Haiti, mas uma grande massa comprou um abadá por oito vezes dez ou mais.
O alento para quem quer mais cultura no carnaval é o bloco Cortejo Afro, de Carlão, cuja camiseta custa 15 reais e traz um som bastante familiar aos haitianos, ou seja, o ritmo tribal.
E não se assustem se algum folião sair fantasiado de “Luciana” da novela “Viver a Vida”, ou mesmo trouxer uma fantasia de agulhas enfiadas pelo corpo. Este é o país do vale-tudo para aparecer na mídia.
Afinal, aludindo a Shakespeare, vivemos num “admirável mundo novo”. Bom carnaval, com a cobertura do Visto.
Tragédias de janeiro e fevereiro - edição 170
Devido situações cósmicas - ou explicações abstratas - janeiro costuma ser um mês pontilhado de tragédias por todo o mundo. Na verdade, elas começam em dezembro, como se um ciclo a se fechar e outro a se abrir preservassem algum tipo de expurgo, resgates coletivos à luz da espiritualidade, segundo muitas doutrinas e crenças. O fato é que nenhum ser vivente está imune aos cataclismos.
Nos últimos anos têm sido comuns os tsunamis, enchentes, furacões, terremotos, queda de aviões, batida e descarrilamento de trens, dentre outros dramas que alarmam as comunidades. E o Brasil, um país que por longos anos não sofreu muito com tais desgraças, atualmente assiste a cheias, pontes rompidas ou desbarrancamentos, como o que houve em Angra dos Reis há poucos dias. Porém, nada comparado ao terremoto no Haiti, um dos países mais pobres do mundo.
A opinião pública do planeta, baseada nos alertas das autoridades que estudam e entendem o ecossistema e mesmo a engrenagem planetária e cósmica, afirmam que tudo isso se deve ao homem. Líderes religiosos creem que se trata da ira de Deus devido à desobediência do homem que a cada dia quer ir mais além com seus loucos experimentos.
Em Angra, por exemplo, pelo fato de uma pousada que derrocou matando uma garota da alta sociedade, a televisão mais uma vez deu um show de hipocrisia ao tentar fazer da menina um prodígio que se foi. É sempre a mesma história: nenhum órgão de imprensa faz conta das centenas e milhares de vítimas miseráveis e pobres das tragédias temporais. Porém, quando se trata de um personagem que ajuda a manter o glamour e serve para maquiar a real situação do ambiente em que vivemos, a imprensa, principalmente a televisão, faz um ótimo trabalho.
Caetano e Gil já diziam que o Haiti é aqui. É isso mesmo: a maior parcela da população brasileira vive situação semelhante à do povo do Haiti, onde há miséria extrema. A diferença é que lá não existe a Rede Globo, não fazem um Big Brother uma vez por ano, porque lá as mulheres não são branquinhas, os homens apropriados para desfilar na tela da TV não são “bombados” e por aí vai.
Enquanto 140 mil haitianos que já viviam abaixo da linha da pobreza são enterrados em valas comuns por milhões de sobreviventes que preferiam ter morrido, por aqui outros milhões reservam economias para pagar abadás de carnaval que em outras regiões denominam “mortalhas”. Para se ter uma idéia, se um abadá em Bom Jesus da Lapa custa 80 reais, em Salvador, dependendo do bloco, chega a quase dois mil reais. E a Globo vai mostrar um integrante do BBB desfilando pela Beija-Flor, o carnaval de Salvador vai ser transmitido durante 24 horas, a festa vai rolar de norte a sul, com flashs ao vivo mostrando os últimos acontecimentos no Haiti.
Felizmente, para algumas pessoas que mantém o sinal de alerta e fazem vibração pelo equilíbrio do planeta e da humanidade, não só o terremoto em Porto Príncipe representa tragédias de começo de ano; também os carnavais da Bahia significam “tragédias” de janeiro e fevereiro.
As profecias para 2010 - edição 168
04/01/2010
“Em 45 graus o céu arderá / O fogo se aproxima da grande cidade nova / Imediatamente uma imensa e larga chama se erguerá / Quando eles quiserem ter uma prova dos Normandos”.
Este texto é a quadra 97 da Centúria 6 de Nostradamus. Quem interpreta profecias afirma que os versos referem-se ao 11 de setembro em Nova Iorque. Confesso que há alguns anos li um livro que interpretava as Centúrias e havia uma quadra, que não lembro agoral, a qual dizia mais ou menos assim: “Duas vezes alto, duas vezes baixado / Pelo céu virão pássaros de fogo...”
O livro escrito pela líder de uma seita americana, Elizabeth Claire Prophet, foi editado na década de 1980. Coincidência ou não, Nostradamus pode ter antecipado a tragédia.
Esta introdução é para dizer que não sei precisar exatamente se as profecias são mesmo visão antecipada do futuro, mas já ouvi muita gente dizer, depois de acontecimentos catastróficos, que “viram” ou sonharam antecipadamente com o fato. O engraçado é que quase ninguém “vê” coisas boas. Inclusive, muitos grupos religiosos estão esperando o fim do mundo em 2012. Olha que falta muito pouco, apenas 24 meses. E se a Terra estiver condenada a ter uma morte lenta, isso está acontecendo, com mais velocidade nos dias de hoje, conforme noticiário de todos os dias.
Algumas correntes esotéricas confiam na hipótese de o universo disponibilizar uma espécie de HD (disco rígido) que os orientais denominam “akasha”. Este dispositivo guardaria todos os acontecimentos do planeta no passado, no presente e no futuro. Algumas mentes mais privilegiadas teriam a capacidade de captar cenas diretamente do “akasha”.
Qualquer pessoa pode ser profeta o suficiente para “prever” o futuro, pois todos os dias acontecem novos e importantes fatos que chamam a atenção da comunidade da Terra. É que as pessoas trabalham com hipóteses. Ninguém consegue prever quem vai ser o próximo ganhador da mega sena.
No entanto vou aqui fazer minhas próprias previsões para 2010. No final do ano podemos conferir o que deu certo - ou deu errado - ou não.
1- Mais chuvas e inundações em janeiro; 2 - A Beija-Flor vai ser vice-campeã; 3 - O Bahia vai ser campeão baiano; 4 - O Brasil não vai ganhar a copa do mundo; 5 - Classificação da Copa (Portugal em 1º, Espanha em 2º, Argentina em 3º e África do Sul em 4º); 6 - O Corinthians vai ser campeão da Libertadores; 7 - Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaucho vão ser convocados para a Seleção (e vão afundar o time); 8 - O Vitória vai ser campeão brasileiro; 9 - A estrada de Santa Maria da Vitória vai ser recuperada; 10 - O frigorífico vai ser construído; 11 - Eures Ribeiro vai ter uma grande surpresa nas urnas; 12 - Geddel vai para o 2º turno (apoiando Wagner a pedido de Lula); 10 - A chapa formada por José Serra e Marina Silva vai quase chegar lá, mas Dilma ganha. São essas minhas previsões para 2010. Agora, só falta ver para crer!
Ressaca de Natal e Ano Novo - edição 167
28/12/2009
Em final de ano ocorrem as mesmas coisas, os mesmos clichês e a euforia de sempre, por conta do incentivo comercial nos meios de comunicação. Há pessoas que se lembram de fazer caridade só porque o ano está no fim e o Natal remonta às boas ações. Tem gente que até se veste de Papai Noel. Haja fantasia. E o tradicional panetone vai ganhando novos sabores, tem até de bacalhau e carne-seca. E tome-lhe bolas e bonecas de plástico para as crianças carentes - que se sentem felizes como nunca na vida, diga-se de passagem. A Globo, este ano, deu roupagem de rap ao velho jingle “hoje é um novo dia, que começou...”; sinal dos tempos. Por incrível que pareça, não ouvi nenhuma vez “So This is Christamas” com John Lennon. Mas ouvi nas ruas, até sangrar os ouvidos, Silvano Sales recriando as pérolas populares de Vitor e Léo. Vi também o anúncio singelo da Coca-Cola, como faz todos os anos, e o do Boticário, um belo comercial de TV que faz com que o espírito de Natal baixe no povo para todos correrem e chegar a tempo de comprar um presente para alguém que ama. E se o dinheiro não der para comprar um dos tops da empresa, compra-se um do Paraguai mesmo. E todos os perfumes paraguaios só mudam a embalagem, pois a essência é a mesma: por onde alguém passa ao usar um deles, as flores murcham de vergonha. Com o uísque é a mesma coisa. Conselho de fim de ano: cuidado, pois nas embalagens mais deslumbrantes pode repousar uma essência horripilante. Vi e ouvi a propaganda, mas, felizmente não vi o sei-lá-que-quenário programa Roberto Carlos Especial com as mesmas músicas em arranjos que ficam cada ano piores. Parece que o “rei” não é como o vinho. Este ano tinha até “Calcinha Preta” no palco dele... Não pensem em trocadilho, pelo amor de Deus!. Que pena que não pude assistir!!! quer dizer: pena para eles do “Calcinha”... Ah, e teve Xuxa especial. Ela também fez um filme com Hebe e ninguém sabe quem é Xuxa e quem é Hebe.
Mudando de assunto. E aqui em Lapa, heim? Bem, o São Pedro foi realmente diferente dos anos anteriores. As atrações melhoraram. Mas no período da romaria, no paralelo, os eventos foram de arrombar os ouvidos, com a receita de sempre, que se repetiu agora no final de ano. É bom para quem não sabe ainda do que gosta na vida. Dureza é agüentar a divulgação volante dessa “maravilha” cultural do Nordeste. Que saudade de Luiz Gonzaga e Lampião. Um iria mostrar como se dança o baião, o outro iria mandar o sujeito dançar como cabra safado. Quer dizer: nossa cultura andou imitando caranguejo. Se não fossem os esforços do pessoal alternativo, aí o ano seria quase perdido. Ninguém sabe se o Município tem secretaria de cultura. Sabe-se que não foi criada, nem a de reparação racial. Convenhamos, algumas coisas são difíceis num primeiro e num segundo momentos. Depois, tudo se ajeita. No futuro a cidade terá o frigorífico, a guarda municipal, as secretarias que faltam, um time na primeira divisão do futebol baiano... Vamos querer estar vivos para ver. O negócio é seguir em frente e deixar de bestagem. Moço... Ia me esquecendo, Rubinho Barrichelo quase foi campeão..., Depois foi quase vice, mas acabou em terceiro mesmo. E o pior: em 2010 Shumacher estará de volta aos grids. Feliz Ano Novo! E muitas emoções!
Mensagem de Natal - edição 165
14/12/2009
Quero antecipar aqui minha mensagem de Natal. Na verdade, trata-se de um pedido aos homens (gênero masculino e feminino) para que olhem uma questão importante com muito carinho. Os idosos abrigados no Abrigo dos Pobres, essa obra secular fundada pelo monge Francisco de Mendonça Mar, estão lançando um CD contendo canções que alguns deles cantaram. O trabalho nasceu do esforço da recreadora Oda Toicima e foi produzido pelo músico Antônio Cerqueira (Boy).
Na despedida de Oda (que vai para Fortaleza) alguns abrigados estavam no evento para prestar homenagem à recreadora. Pôde-se pereber a gratidão deles para com a amiga que tantas vezes foi diverti-los.
Os abrigados necessitam de auxílio sempre. Muita gente ajuda na forma material. Outras pessoas fazem visitas, são voluntárias como Oda Toicina. Muita gente também comparece ao Abrigo para conversar com os idosos, os quis, muitas vezes não têm parentes por perto.
O lançamento do CD “Canções para recordar”, na voz dos abrigados, é um bom motivo para deixar mais confortados e felizes os anciãos que ficam sempre agradecidos com a atenção que quem quer que seja lhes dá.
A mensagem de Natal do Visto é na verdade um lembrete, a fim de que os abrigdos recebam aquilo que sempre esperam, de quem ainda está na flor da idade: carininho e dedicação.
No Limite - edição 164
07/12/2009
Um grande problema enfrentado pela sociedade é o sistema de segurança deficiente. Bom Jesus da Lapa também sofre com isso. Os comerciantes são os mais visados. Na verdade, há alguns estágios de violência: no período de romarias chegam na cidade batedores de carteira que trabalham em equipe e agem principalmente diante das inúmeras barracas, quando os cidadãos ficam sem dar muita atenção para os bolsos e as bolas. Já os lojistas são vítimas dos ladrões, quase sempre viciados em drogas, que arrombam os estabelecimentos durante a noite, como aconteceu há poucos dias com a Data Process Informática. Os gatunos entraram pelo teto e roubaram equipamentos.
Não dá para entender a desatenção do governo, em todos os níveis, para uma questão básica da sociedade. Diariamente atos de violência explodem em todo o país, e só tomam alguma atitude quando uma família tradicional é afetada: aí, criam-se ONGs em torno daquele fato, fazem mesa-redonda na imprensa etc., e a hipocrisia “come solta”. Os agentes de segurança dos órgãos de defesa estão quase sempre de mãos atadas, sem apoio, sem equipamentos nem mesmo combustível para os veículos. E a maioria ganha salários tão ridículos que alguns entram para o crime fazendo aliança com bandidos.
Em Bom Jesus da Lapa vai ter uma Guarda Municipal, pelo menos é o que todos esperam, pois a Câmara Municipal já aprovou o projeto e segundo a Prefeitura, o concurso vai acontecer. Será que essa guarda vai ter a retaguarda necessária para atuar de forma adequada? Entende-se que o problema da segurança vai além de uma guarda, de uma milícia ou de sistemas eletrônicos de monitoramento: a pobreza e a miséria não encontram barreiras quando a fome ataca, ou quando os drogados experimentam aqueles momentos de “fissura” - para usar um termo do submundo das drogas - e vão roubar para comprar uma pedra de crack ou um papelote de cocaína.
Segurança se resolve com boa educação e com oportunidade de trabalho: a primeira começa no lar e a segunda na sociedade em geral. O grande entrave neste círculo vicioso é que as classes média e alta contribuem para manter o mundo das drogas, uma vez que o consumo é grande e eles querem drogas de boa qualidade, porque estudaram em boas escolas, os pais fomentaram a boa vida e eles preferem sempre “coca da boa”. E quem traz esse produto para eles, às escondidas?: Ora, os miseráveis sem oportunidade, que precisam da comissão paga pelo traficante. E esses jovens “aviões” pisam num terreno tão perigoso, que acabam consumindo a borra da droga em forma de merla e crack. Daí pra pior.
Enquanto isso, as discussões acontecem, os deputados criam PECs, protestam e a violência só aumenta em todo o país.
Infelizmente, isso não vai diminuir por muitas gerações, pois, além de a violência estar registrada no aspecto animalesco do homem, há toda uma indústria, jogos de interesses, protecionismo, pouca educação, fome, revolta e falta de oportunidade para a massa que compõe a classe que está abaixo da linha da pobreza.
Enquanto isso, quem detém o poder pensa que está se protegendo ao tentar esconder seus bens e criar sistemas de segurança ditos infalíveis. Quando saem às ruas, muitos deles encontram uma bala perdida e perdem a grande oportunidade de contribuir para ajudar a cortar o “mal pela raiz”, ou seja, olhando para o mais próximo e não fingindo enxergá-lo. Por conta disso, toda a sociedade está no limite!
Religiosidade política - edição 163
30/11/2009
Todo cidadão que se preza tem um propósito na vida. Muitos buscam ofícios públicos, quer seja pelo bem individual e familiar - no caso dos funcionários de carreira -, ou em favor das causas coletivas. Aí se enquadram os escolhidos nos pleitos políticos. Dentre estes, poucos efetivam o conceito pleno da assistência a outrém, uma vez que a seara onde estão na messe executores e legisladores, costuma ser em campo minado.
No cenário, confundem-se príncipes e bufos, heróis e vilões, jogadores fiéis às regras e blefadores. Em Lapa não é diferente. A história pública atesta os passos adiante do município desde o início da década de 1990, de forma que nos últimos cinco anos a cidade se desenvolveu a ponto de se tornar exemplo na Bahia. Tudo isso para desagrado de quem faz, ao largo dos acontecimentos, a política da mesquinharia e do pessimismo.
Apesar de se ramificar desde o entorno do santuário, naturalmente Bom Jesus da Lapa está longe de ser lugar utópico; ao contrário, vê novos problemas surgirem conforme cresce, ao abrigar mais famílias e atrair toda sorte de exploradores: do bom comércio, do ilegal e das ações marginais, como se observa no pico da visitação em tempo de romaria.
Os fatos não podem ser negados mesmo que ilusionistas tentem pôr vendas nos olhos do povo mais humilde. E o desenvolvimento da cidade deve-se aos propósitos de um grupo que vem provando e comprovando sua idoneidade por conta de estratégia e inteligência políticas. Senão vejamos: o governo federal não destinaria o IFBA, a UPA, o programa Minha Casa, Minha Vida, a obra da lagoa do São Gotardo dentre outros projetos, se o Município contasse com representação fraca, e histórico medíocre.
A verdade é que todo projeto do Executivo tem grafado nas considerações, que o governo local teve a preocupação de construir um centro de formação de profissionais em educação, o CENFOR, o qual foi inaugurado no início de 2006. Este é o grande marco do desenvolvimento em Lapa, que desencadeou muitas ações sociais nos setores prioritários.
Projetos em nível federal transformaram-se nos programas acionados já completos, em andamento ou em fase de conclusão. Entretanto, as parcerias com o governo estadual estão emperradas. A Praça Marechal Deodoro saiu às duras penas, o laboratório, há mais de um ano a Prefeitura cumpriu com sua parte, construindo o equipamento, só que a parcela estadual está pendente, quanto ao frigorífico e ao campus da Uneb, as contrapartidas do Município já se cumpriram, mas o compromisso do Estado, não. E o ano se fecha de forma positiva em Bom Jesus da Lapa, como tem sido de 2006 até hoje.
Espera-se que o governo desgastado de Jaques Wagner tenha os mecanismos para resolver as pendências em 2010, a fim de que se complete um ciclo de obras importantes que irão melhorar a qualidade de vida do povo de Bom Jesus da Lapa. Que secretários envolvidos com a educação, a infra-estrutura e a saúde tratem os assuntos que lhes competem sem levar em consideração o rompimento da aliança do PT com o PMDB, imbuídos de uma religiosidade política relativa à adotada pelo gestor de Bom Jesus da Lapa, Roberto Maia.
Lagoa do São Gotardo - edição 162
Há poucos dias Bom Jesus da Lapa foi um dos 50 municípios indicados pelo Instituto Ambiental Biosfera para receber o prêmio Top Prefeitos 2009, com base em estudos que revelaram as melhores administrações municipais brasileiras sob enfoque da sustentabilidade urbana. A indicação reflete os avanços da “capital baiana da fé” em termos de melhorias principalmente em se tratando de saneamento básico.
Um dos pontos cruciais, para ativar de uma vez por todas a revitalização do Rio São Francisco no trecho que está sob os domínios do Municipio, é a requalificação da lagoa do São Gotardo, que vem sendo discutida há muitos anos.
Por ser uma obra reconhecidamente delicada pelos técnicos e engenheiros, a obra tem demorado para começar. Há muitos meses o dinheiro está esperando, uma vez que faz parte do Projeto de Revitalização do Velho Chico, do Governo Federal. Mas, desta vez, com o edital de licitação já publicado e a construtora selecionada, espera-se que em 2010 esta grande benfeitoria seja inaugurada.
Melhor que isso aconteça, pois os problemas gerados pela lagoa atualmente são uma espinha na garganta dos moradores e empresários das imediações. A cidade que já tem um novo aspecto, finalmente vai poder se orgulhar de ter um grande problema ambiental resolvido. E a Lapa vai mesmo merecer um prêmio Top.
Professor nota 10 - edição 161
Num tempo quando as atenções do planeta estão voltadas para a questão ambiental, a Coordenação de Educação no Campo, da Secretaria Municipal de Educação de Bom Jesus da Lapa, dá um bom exemplo. Em evento realizado no auditório do Cenfor, na sexta-feira (13), oito professores da zona rural apresentaram projetos voltados para a defesa do meio ambiente.
O Projeto Professor Nota 10 desenvolvido por professores das classes multisseriais, este ano tratou do assunto de maior interesse da humanidade nas últimas décadas: a ecologia. Uma das características dos trabalhos é o envolvimento dos alunos, dos pais e moradores das comunidades, tanto nas discussões quanto na execução dos programas nascidos a partir dos projetos.
Desmatamento, poluição dos rios, lagos e coleta seletiva de lixo, além de estratégias de produção a partir de materiais descartáveis e não perecíveis, como: garrafas pet, latinhas de cerveja e refrigerantes, tudo isso serviu de motivo para os projetos apresentados.
Os trabalhos foram acompanhados por alunos do ensino fundamental e médio, educadores e autoridades ligadas ao Ibama, à Adab, à Secretaria de Meio Ambiente dentre outros. A abertura foi feita pela secretária de educação, Carolina Ferraz. Ao final, os jurados apontaram o projeto considerado o mais bem estruturado, que levou o prêmio de Projeto Professor Nota 10 2009.
Palavras mágicas - edição 160
Ao receber seu laurel, durante a entrega do Troféu Parceiro da Comunicação, a secretária de educação, Carolina Ferraz, disse que costuma se encantar com “as palavras mágicas” dos editoriais impressos neste espaço. Tomando para o lado pessoal, sem querer ferir a ética redacional, confesso que ouvir isso de uma educadora me faz vibrar as cordas da vaidade, mesmo porque, tudo em minha vida nos últimos trinta anos gira em torno deste reino drummondiano onde penetro surdamente no dia-a-dia.
Servo delas (palavras) venho colhendo bons frutos desde que me alimento e cultivo a árvore genealógica encantada do verbo. E mais do que qualquer outra comunidade por onde passei nesta caminhada, a lapense tem sido a que melhor acolhe esta dádiva da qual sou apenas um receptor/doador. Daí, o estabelecimento da festa anual em memória do aniversário do Visto.
Também, motiva-me satisfação, quando vejo presentes aos cerimoniais o que o empresário Sócrates de Almeida Rocha, laureado pela terceira vez, classificou como a “nata da sociedade”, que são os pequenos, médios e grandes empresários, os cidadãos e cidadãs, os representantes de entidades como a Igreja Católica, a Protestante, o Poder Público, a Comunicação, as Forças Armadas e os apenas leitores, o que atesta o poder de concentração da imprensa em torno de um só objetivo.
Prova de que a comunicação é uma força necessária, é o fato de poder reunir, no mesmo ambiente, em atitude solene gentes que até pouco tempo umas representavam água e outros, óleo, na história política de Bom Jesus da Lapa. O que se subentende que há uma tolerância maior para com a imprensa, mesmo ela podendo errar algumas vezes, devido ao seu dinamismo.
Ainda que tenhamos sofrido resistência por parte de alguns poucos cidadãos, nestes três anos, ou enfrentado questões judiciais, propaganda contrária por um ou outro político ou comunicador, o Visto vem sobrevivendo para continuar realizando o sonho (conforme lembrou Carolina Ferraz em sua breve explanação) de Emanoel, de Mara, dos colegas de trabalho, dos leitores que, senão apaixonados, pelo menos apegados respeitosamente ao jornal.
Tudo isso é motivação, gana para continuar marcando uma nova era em Bom Jesus da Lapa, até mesmo participando socialmente enquanto parceiros ou fomentadores de ideias. E ao mesmo tempo em que todo homem e mulher de boa vontade conta com o recebimento de um novo exemplar a cada semana, esta empresa vem contando de forma satisfatória com o apoio de uma enorme quantidade de parceiros da comunicação, desejos da permanência deste “sonho”, tornando-o maior a cada dia.
Obrigado ao povo lapense pela dedicação ao nosso jornal de todos!
Guru da Pedagogia: Professor Clodomir Santos de Moraes e sua metodologia infalível e apaixonante - edição 158
Alunos e professores da Uneb tiveram uma rara oportunidade de estar frente a frente com um dos maiores gênios da Pedagogia, nos dias 23 e 24 de outubro, quando o professor Clodomir Santos de Moraes palestrou utilizando como tema sua experiência pedagógica voltada para a capacitação das massas, geração de trabalho e renda, e inclusão social.
Cultuado e adotado mais no exterior do que no Brasil, o professor Clodomir por meio de sua doutrina única, simples e apaixonante, deveria estar incluído na política dos territórios de identificação, que atualmente é o grande modelo de transformação social na Bahia. Entretanto, em muitos aspectos, o professor é “estrangeiro” na própria pátria. Vários países da América Latina, África e Europa exigem o estudo da obra “Teoria da Organização” nas universidades, como é o caso de México, Honduras, Angola, Moçambique, Guné Bissau, dentre outros.
Por experiência própria, passei a conhecer e sou capacitado por meio da Metodologia da Capacitação Massiva, que é o eixo doutrinário elaborado pelo professor Clodomir. Ao participar de um LOT (Laboratório Organizacional de Terreno) no ano 2000 em Porto Velho, Rondônia, como coordenador de comunicação, e fui testemunha da transformação social de 750 cidadãos que de um estado de pobreza e baixa estima, em 45 dias passaram a contar com um mecanismo de produção por iniciativa própria, depois de um processo coletivo de capacitação em vários segmentos.
O laboratório proposto pelo professor Clodomir consiste na identificação dos principais problemas de um bairro ou localidade, em seguida a coordenação convoca a população para escolher os cursos que deseja fazer, a fim de cada um se capacitar segundo sua vocação ou vontade. O passo seguinte é organizar as turmas dentro de um mesmo ambiente e, por assembléia realizada entre os alunos, ser escolhido um conselho diretor, criada uma empresa a ser orienta pelos instrutores, coordenadores e palestrantes convidados. Diariamente ao final do período são realizadas reuniões cronometradas, entre a empresa dos alunos e a empresa dos coordenadores, para avaliar a evolução dos trabalhos.
“Não dar o peixe, sim, ensinar a pescar” é um dos motes adotados, juntamente com a adoção da máxima “aprender a fazer, fazendo”. Juntem-se a isso explanações que insuflem a auto-estima do cidadão, antes das aulas diárias. São elementos capazes de transformar da noite para o dia, pais de família e jovens sem perspectivas em empreendedores.
O provimento da matéria prima para a primeira produção logo ao início dos cursos - por exemplo: panificação, confecção, artesanato, serigrafia etc. -, é um recurso que contribui para a empresa dos capacitandos começar sua sobrevida, devido à venda dentro da própria comunidade dos produtos manufaturados. Com o passar dos dias, a empresa promove uma feira de negócios e convida a comunidade que passa a consumir a produção. Para se ter uma idéia, o laboratório do qual participei teve um custo de apenas R$ 50 mil, que é baixíssimo para o efeito borboleta que causou, de maneira positiva, na comunidade do bairro Tancredo Neves, em Porto Velho.
Ao final do laboratório, jovens que começaram os cursos usando calções, chinelos de dedos ou despreocupados com a aparência, estão transformados, portando-se como empreendedores e unidos em cooperativas, associações ou empresas familiares. Estão incluídos socialmente e dentro do mercado de trabalho, sendo que o processo “pós-lot” continua orientando-os em questões de microcrédito e outras necessidades gerenciais.
Os LOTs podem ser realizados por entidades civis em convênio com o poder público - secretarias estaduais de trabalho ou assistência social - ou mesmo empresas privadas que possam destinar uma verba para a capacitação, que pode ser dentro dos segmentos que elas atuam.
A respeito do professor Clodomir, sabe-se que ele rodou o mundo, levou sua doutrina para muitas regiões carentes que promoveram grandes mudanças sociais a partir de então. Agora, ele está de volta a sua terra natal - Santa Maria da Vitória -, para sorte do povo baiano, principalmente do semiárido, que tanto necessita de um mecanismo de transformação social sem semelhante em todo o mundo.
Cabe ao governo associar o ideal de território de identificação proposto pelo geógrafo Milton Santos - também baiano de Macaúbas e unanimidade mundial em geografia social -, ao modelo adotado nos laboratórios organizacionais de terreno, por meio da doutrina do professor Clodomir Santos de Morais - também unanimidade, em se tratando de capacitação massiva e inclusão social -, para a Bahia alcançar mais facilmente o crescimento de que necessita. Só assim, estarão sendo respeitados os grandes “pensadores” do nosso tempo.
Morro da Lapa foi fotografado em 1868
A história do vale do São Francisco, uma das mais ricas do Brasil, registra ao longo dos séculos acontecimentos que foram fundamentais para a formação cultural do povo brasileiro, sobretudo as populações que se formaram no sertão. O morro de Bom Jesus da Lapa, transformado em santuário pelo monge Francisco de Mendonça Mar, desde os primeiros anos da ocupação pelos portugueses, atraiu aventureiros, saqueadores, beatos e homens preocupados com o futuro da alma, do rio e da preservação da fauna, da flora, dos recursos naturais verificados na bacia do chamado rio da integração nacional.
O santuário de Bom Jesus da Lapa em verdade tem na região ribeirinha efeito semelhante ao da grande pirâmide no deserto do Egito, por isso, romeiros, visitantes e estudiosos param diante do grande monumento natural com grande respeito, por entender que de fato esta é obra de Deus. Mesmo os céticos percebem a imponência do maior símbolo da fé da população sertaneja da Bahia, Minas Gerais e muitos outros locais em território brasileiro.
Muitas expedições mapearam e registraram a grandiosidade do rio, com ênfase para os pontos principais, como é o caso de Bom Jesus da Lapa. Uma dessas expedições, exatamente numa época em que a atenção do Império esteve voltada para a identificação dos recursos naturais do Velho Chico, devido à preocupação do imperador Dom Pedro II, foi a de Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, ou Duque de Saxe, casado com a filha do imperador, Dona Leopoldina do Brasil.
Acompanhou a expedição no ano de 1868, o fotógrafo alemão August Riedel, ativo no Brasil entre as décadas de 1860 e 1880. Ele possuiu estúdio à rua Direita nº 24 em São Paulo (SP), na década de 1860, sendo dotado de talento indiscutível. Foi autor do excelente álbum intitulado Viagem de S. S. A. A. Reaes Duque de Saxe e Seu Augusto irmão Luiz Philippe ao interior do Brazil, que congregava as fotografias realizadas durante a viagem do genro do imperador Pedro II, Dom Luis Augusto de Saxe Coburgo e Gotha, às províncias de Minas Gerais, Bahia e Alagoas em 1868.
O fotógrafo registou a passagem do duque de Saxe por lugares importantes como Mariana, em Minas Gerais, a cachoeira de Paulo Afonso, cenas da Vila de Capim Grosso e o morro de Bom Jesus da Lapa. A foto tirada por August Riedel pode ser o primeiro registro fotográfico do Santuário do Senhor Bom Jesus da Lapa. Ela está no álbum que registra a viagem do duque de Saxe e seu irmão, podendo ser vista detalhadamente na internet, no site da Biblioteca Nacional Digital, no seguinte link -- http://objdigital.bn.br/ --, dando a oportunidade ao internauta de ver detalhadamente a cúpula dos telhados das residências ao pé do morro à época, bem como toda a extensão da parte que se projeta no campo de visão de quem sobre o rio.
A relíquia faz parte d acervo fotográfico da “Collecção D. Thereza Christina Maria”, que é composto por cerca de 23 mil imagens referentes ao Brasil e ao mundo do século XIX, que retratam a realidade do período e refletem a personalidade do Imperador e seus interesses. Este conjunto de imagens, é parte integrante da biblioteca particular do Imperador e por ele doada, em testamento, em sua maior parte, à Biblioteca Nacional.
Não há qualquer registro apontando que August Riedel tirou outras fotos do santuário. Porém, se houver algum desses tesouros perdidos em algum baú familiar em alguma parte do país ou mesmo no exterior, espera-se que um dia seja revelado para que a história de Bom Jesus da Lapa seja enriquecida cada vez mais a partir de uma perspectiva de fidelidade.
http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/th_christina/icon206339/galery/index.htm/
Jornalismo da cintura para cima
Postado em 21/08/09 às 15h27
A mediocridade grassa em alguns setores da imprensa em Bom Jesus da Lapa, que confundem comunicação com fato político. Quem está acostumado a ler o noticiário nos jornais brasileiros, sobretudo os eletrônicos e editados por profissionais competentes, percebe que o confronto político é uma constante nas matérias. Blogs e portais de notícias exploram este filão, porque, acima de tudo, a política tem um “quê” de folclore e os próprios políticos aproveitam o poder de propagação dos veículos para se manterem na mídia. Para isso, não desperdiçam o momento, tampouco as polêmicas do dia.
O problema em Lapa é o fato de dentro da comunicação, haver pessoas com objetivos políticos envolvidos com gerenciamento e manipulação dos meios. Por conta disso, não têm a capacidade, tampouco a sensibilidade de absorver informações de outros veículos, como o semanário Visto e o portal iVisto, os quais, munidos de seus direitos democráticos, se propõem analisar e até mesmo comentar pelo crivo do humor permitido, como se faz na televisão, no rádio, nas revistas e nos jornais de grande circulação, os assuntos em voga.
Aliás, deveria haver no Brasil uma lei que não permitisse radialistas ou jornalistas pleitearem cargos de vereador, prefeito, deputado, senador ou presidente, já que cidadãos acostumados a exercer tais profissões inegavelmente contam com um grande tempo de exposição pública. Há casos de políticos que se valeram desse tipo de mídia para atingir um cargo de poder público, como aconteceu com o ex-prefeito de Salvador, Fernando José, sucessor de Mário Kertész, no final da década de 1980.
Soa muito estranho a reação de alguns colegas de profissão, quando percebem no Visto comentários políticos, muitas vezes tendendo para tiradas de humor, pois situações políticas cabem muito bem ao estilo e não são afronta a ninguém, inclusive porque o público se agrada deste mecanismo de se fazer imprensa responsável. Ou não seriam importantes personalidades como Stanislaw Ponte Preta, o Barão de Itararé, o programa Casseta e Planeta ou o CQC?
Sentimentos miúdos levam homens de comunicação e política a se ressentirem com a imprensa. O Visto em três anos de circulação, sendo unanimidade entre os leitores, vem sofrendo ataques de pessoas que pensam serem donas da cidade, e que teriam perdido o poder apenas temporariamente. O fato é só um: se essas pessoas fossem competentes, não teriam perdido o poder quando estava em suas mãos. O Visto nem acompanhava a crônica diária quando o poder foi perdido, mas pôde acompanhar outras derrotas, enquanto veículo que registrou os fatos.
Todos os dias grandes personalidades, sendo a maior delas o presidente Lula, são motivos para charges, matérias hilárias baseadas em acontecimentos políticos, e outras peças de comunicação. Na maioria dos casos, são homens que estão para além daqueles que têm atitudes e pensamento provincianos, por conta disso, os que são exemplares sabem conviver com a fama e o que ela relega às personalidades históricas. Porém, aqueles que deveriam se contentar com a própria insignificância, abrem o verbo de forma deselegante e maldosa, tendo o coração pleno de inveja, hipocrisia e orgulho, imaginando que quem sabe fazer imprensa de moral, de alguma forma almeja cargos públicos ou faz algum conchavo típico de quem sobrevive dos sobejos do poder.
Um jornal nada tem a ver com uma concessão de rádio, que neste país, infelizmente, ocorre sob acordos políticos. O Visto não tem sociedade com nenhum político, é um veículo independente e expõe os fatos relativos às personalidades, sendo elas maiores ou menores, insignificantes ou de importância histórico-social relevante, segundo o grau de interesse público.
Não temos culpa se um cidadão A ou B ocupa os meios de imprensa e ao mesmo tempo participa da política partidária, mesmo não tendo chance de ser eleito pela preferência popular, a algum cargo político. Entretanto, quem se aventura a compor o diretório local de algum partido, quer queira, quer não, torna-se uma figura pública e seu nome uma vez ou outra pode fazer parte do noticiário.
Pessoalmente, para quem vive imaginando que este editor foi trazido para Bom Jesus da Lapa pelo deputado Arthur Maia, a fim de fazer imprensa encomendada, quero dizer que esse pensamento é inferior como inferiores são as atitudes de ataque direto ao Visto. Sou cidadão livre, ao chegar em Lapa nem sabia quem era Arthur ou Roberto Maia. Tenho 30 anos de trabalho na imprensa. E se eu fosse me envolver com política algum dia, minha política seria feita da cintura para cima, assim como é meu jornalismo. E mais: sou jornalista sem diploma. Ainda bem.
A "elite" lapense e o sentimento imperialista
O forasteiro Francisco de Mendonça Mar, antes de chegar ao Morro da Lapa e descobrir que ali estaria seu retiro, levou umas boas “lapadas” no cangote, pelo menos é o que diz a história. A vida controversa de Francisco carece de documentação para que se entenda melhor sua peregrinação até Bom Jesus da Lapa. No entanto, uma coisa é certa: por ser o iniciador da história do município o monge da gruta não tem o respeito que merece.
Na esplanada, diante do portal de entrada da gruta, há uma bela estátua de Francisco, esculpida pelo Dr. Diocleciano Martins de Oliveira. Também há o colégio Frei Francisco da Soledade. E só.
O Igreja Católica e sua diocese local exercem a função que lhes cabe, entretanto, o poder público e o povo lapense deveriam ter mais apreço pelo peregrino. Talvez isso não ocorra, devido a um sentimento que se plasmou através dos séculos que pode ter sido “herdado” dos senhores feudais e seus xeleléus, de que o peregrino seria um reles pintor que por cometer alguns delitos, não fez mais do que sua obrigação de pintar o palácio do governador geral em Salvador e além de não receber o pagamento, deveria mesmo entrar na “taca” juntamente com seus escravos. Um fato que vale nota ocorrido há alguns dias ilustra muito bem o que se pretende explicar nos enunciados anteriores deste texto. Trata-se de um comentário feito pelo radialista Alex Ramos sobre uma breve passagem do artigo intitulado “Bom Jesus da Lapa, 86 anos livre e idônea”, escrito por este editor e publicado na página 7 da edição de Nº 149 deste semanário.
O texto é uma crônica em homenagem ao aniversário da cidade. No entanto, o senhor Ramos enxergou apenas uma frase que repetimos aqui “Lapa é a cidade onde a escola particular mais influente, em comemoração ao Dia Nacional do Folclore, faz gincana cujo tema é Michael Jackson --, esquecendo todo o teor do texto. Seria por uma questão pessoal ou porque está encalacrada na mente de quem se considera elite, a necessidade de tornar grandiosas situações tão pequenas? Por que o texto não foi criticado por completo? Por que apenas uma breve passagem comentada aleatoriamente de um fato ocorrido? Na verdade, é a segunda vez que radialistas se ressentem em função de um comentário sobre a mesma instituição, aproveitando para tentar incutir na mente da população que este jornal teria algum tipo de contenda com a escola. Ora, que bobagem!
O mais agravante nessa história não é apenas o comentário, porém, a nítida demonstração de ojeriza a pessoas que se estabelecem em Bom Jesus da Lapa, conforme o radialista colocou ao final de sua demonstração de protesto, ao insinuar que de fato para Bom Jesus da Lapa tem vindo muita coisa boa, mas também muita gente que não presta! E achou por bem repetir esta colocação!
Recapitulando a história, depois da morte de Francisco da Soledade o santuário do Bom Jesus foi espoliado durante cerca de um século pela elite local. Não sobrou nem a memória completa de Francisco de Mendonça Mar. Ao confiar novamente a administração do santuário a entidades ligadas ao Vaticano, a igreja da Lapa renasceu, Francisco passou a ser mais valorizado. Nem por isso encontra-se na cidade uma via com o nome Av. Francisco de Mendonça Mar, não há uma pracinha sequer, tampouco uma comenda a ser entregue a cidadãos exemplares tendo como memória o patrono da cidade. Porém, há ruas em homenagem a pessoas com menor significado histórico mas que faziam parte do que se denomina elite, cujos emissários sobem nas tribunas ou ocupam os microfones do rádio para destilar todo um ressentimento não se sabe por quê! Será que a verdadeira elite lapense concorda com isso?
