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Programa Nacional de Direitos Humanos 3° edição: vamos dar uma espiadinha?

Por Marcelo Souza

É como no BBB, na casa mais famosa do Brasil- Palácio da Alvorada- o governo federal lança o seu programa onde os temas mais relevantes sobre direitos humanos são apresentados, votados e os assuntos colocados no paredão onde serão ou não eliminados. Alguns participantes dessa etapa que chegaram causando foi o Ministro da Defesa Nelson Jobim juntamente com outros participantes das forças armadas que em bloco ameaçaram sair do jogo caso a nova diretriz não reveja o termo que cria a Comissão da Verdade onde seria investigado os atos de barbárie ocorridos durante o período de ditadura militar (1964 a 1985). Outro participante que também “chegou chegando” foi o Ministro da Agricultura Reinhold Stephanes instigado pela big sister Senadora Katia Abreu da bancada ruralista votando pela eliminação do projeto caso ele não se emende e reveja as questões relativas a reforma agrária que tumultuaram o churrasco dos ruralistas. Como as panelinhas já são esperadas e essa nova edição está eclética e purpurinada, o grupo que se mobilizou e quer a transformação geral foi o GLSBT (gays, lésbicas, simpatizantes, bi-sexuais e transformistas) fazendo sua defesa para aprovar a união estável entre casais do mesmo sexo, permitindo também a adoção de crianças e direitos de herança. Ah, tem também o grupo dos proprietários de rádio e TV que estão com a liderança indicando para que seja eliminado o termo que cancela a concessão de emissoras que em sua programação ofendam os direitos humanos. Enfim tripulantes dessa nave-mãe terra, manter na rota de navegação tantos interesses é quase certo que a colisão se dará em todos as etapas dessa disputadíssima peleja. Ainda não acabou o programa, ele está só começando e você pode escolher pela permanência ou eliminação dos termos desse programa, basta contactar Brasília e votar pelo email do seu Deputado Federal ou Senador. O quê, você não lembra em quem votou? Tudo bem, eles também não lembram quem os elegeu. (Autor: Marcelo Souza graduando em Administração).

 

O BBB e o drama no Haiti

*Por Júnio Batista

Ontem à noite, como de costume, em frente ao computador, eu lia as matérias mais chocantes que marcaram o mundo durante o dia. Li que as equipes de busca do Haiti haviam resgatado uma senhora de 84 anos, após onze dias soterrada nos escombros do terremoto devastador que assolou o país. Segundo a matéria, ela estava desidratada, faminta e já possuía larvas em seu corpo, por sinal, extremamente ferido. Mas nem o a força tempestuosa da natureza e a tamanha miséria que hoje acomete aquele país foram suficientes para levar-lhe a vida. Àquela emocionante cena do resgate, somaram-se muitas outras, estampadas em fotos e manchetes no site. Senti um aperto na garganta e uma profunda dor no coração, pois como ser humano não há como não se solidarizar com tanta destruição: crianças de todas as idades órfãs, famintas, doentes, feridas e largadas à própria sorte sobre aquele amontoado de escombros. Homens e mulheres disputando os alimentos distribuídos pelas organizações de ajuda internacional. Nas imediações da Capital, Porto Príncipe, infinitos cordões de haitianos, gente de carne e osso, seres humanos, como nós, sem rumo, nem destino. Muitos, amontoados em barracas de lona, desprovidas das mínimas condições de higiene e saneamento. Frente à tamanha calamidade, ainda existem aqueles que não perdem o sorriso do rosto e a esperança em um Haiti reconstruído, com crianças bem alimentadas e felizes.

De repente, enquanto eu me emocionava com as imagens e manchetes sobre o Haiti, tive a atenção desviada, por alguns segundos, ao ouvir o choro de um homem na TV, que estava ligada na sala. Um dos participantes do BBB se derretia em lágrimas, recebendo abraços e mimos de seus colegas de confinamento. Segundo ele, não estava mais suportando o confinamento dentro da casa. A emissora ainda colocou uma música de fundo para dar uma pitada de emoção à cena e levar os espectadores fanáticos a se comoverem com o “sofrimento” do brother. Que cena mais comovente!

Uma profunda indignação brotou-me ao ver aquele indivíduo mimado se lamentando e chorando em meio a tanta luxúria. Chorava, rodeado de pompa e luxo, desperdício de comida, farras, disputas amorosas, música vibrante, dentro de uma casa que nada reflete a realidade desse país. Uma casa que pelo luxo que sustenta e beleza que ostenta assemelha-se a um oásis em meio ao deserto. Enquanto nossos irmãos haitianos morrem de fome e são constantemente atingidos pelas mais diversas mazelas e fenômenos naturais, um “brother” chora e uma grande parcela da população brasileira se comove ao vê-lo triste.

Está na hora de nós brasileiros percebermos que os verdadeiros “big brothers = grandes irmãos” que precisam de nossa assistência e atenção são os milhões de seres humanos diariamente atingidos pelas calamidades, pelas guerras, violência e fome, espalhados não apenas no Haiti, mas nas esquinas dos nossos próprios bairros. Vamos nos comover com o sofrimento daqueles que estão à margem da vida, abandonados à própria sorte, onde as câmeras de TV não ficam ligadas 24 horas, registrando sua árdua labuta em defesa da própria vida frente a um meio social tão hostil. Não há como ser insensível e não há como deixar de refletir sobre a vida depois que nos deparamos com tanta destruição e pobreza. Não há tempo para se comover com choro depressivo de um “bbb”, enquanto o mundo se acaba aos poucos (*Pedagogo, pós-graduando em Gestão e Saúde. Linha de Estudo e Temas de Pesquisa: Educação, processos formativos nas áreas sociais e Valores Humanos).

 

Alienação incabível

*Por Thaline R. Dávila Freitas Farias

A nossa educação de berço, nos induz a pensar no futuro, tentando sempre distinguir o certo do errado, o caminho correto ou duvidoso.

Infelizmente, com o passar do tempo, vivenciamos a desonestidade e mentiras de quem nos representa no cenário político. Cada vez mais nos alienamos acerca da problemática existente em todo o mundo. Isso no que diz respeito aos nossos próprios interesses, como melhoria na saúde, educação, moradia. Na realidade, a democracia, onde é aplicada, perde o lugar para a banalização, já que não há uma estrutura plausível que nos permita participar do desenvolvimento social, educacional, dentre outros.

O que nos assusta e nos envergonha, é ter a constatação de que a corrupção, seja de qual for a sua proporção, se abebera da apatia de quem ou quais deveriam nos trazer quaisquer resquícios de progresso.

Os anseios de interesses pessoais, morais, atingem inúmeras esperanças de uma vida digna que jamais se cumpre. Não devemos apenas nos revoltar, tampouco, avaliar o teor de culpabilidade de um ou outro corrupto. Devemos sim, nos interrogar, agir e banir o banditismo de uma vez por todas. Uma nação não pode se calar a tantos desacertos e humilhações. O interesse é único; queremos estar livres, livres deste crime que nos é estampado, escancarado, de que somos lesados a cada segundo.

É indubitável que os corruptos se vangloriam às nossas custas. Estamos cercados de adjetivos alarmantes, que tomaram conta do nosso cenário político, moral e social. É possível sim, por mais que pareçam utópicas, que haja soluções. O que não pode ser possível, é deixarmos em último plano os nossos direitos, deixá-los obsoletos.
A moralidade e a justiça jamais podem ser deixadas de lado. Então lutemos, sempre! (Thaline R. Dávila Freitas Farias participou do Enem 2009 com o presente texto)

 

Eles passarão, eu passarinho!

Por Júlio Carlos M. Carvalho

“Todos esses que aí estão / Atravancando meu caminho / Eles passarão... / Eu passarinho!” Estes versos são do poeta Mário Quintana, em seu intitulado “Poeminho do Contra” do ano de 1978, após três tentativas de vaga à Academia Brasileira de Letras. Quão atuais são os mesmos na vida de cidadãos da sociedade brasileira. Cidadãos estes, que no uso do livre arbítrio, optam pelo decurso do lícito, da moral e dos bons costumes.

O que leva o homem, em detrimento de interesses egoísticos, torpes, transgredir a lei? Há esperança de que nossa sociedade um dia seja mais justa, solidária e humana? Devemos nos curvar para tais mazelas e aceitar que a impunidade e a corrupção sejam o escopo da organização humana em sociedade? Não acredito ser este o caminho. Vivemos num país democrático de direito, onde, segundo a constituição no seu artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.”

Então, enquanto houver pessoas dispostas a lutar e transpor essa barreira do aparentemente imutável, munidos de ações e manifestações legalmente assistidas, certamente lograremos êxito em detrimento do bem comum. “É preciso que os homens de bem tenham a audácia dos canalhas”, já dizia Benjamim Disraeli, escritor e político Britanico do século XIX. Deixemos de ser passivos, anônimos e meros espectadores. É preciso contaminar e deixar ser contaminado pelo positivo. Não podemos cruzar os braços e achar que está tudo normal. Precisamos nos destituir dessa carapaça imposta pelo sistema, criada para mimetizar nossa culpa e justificar a inércia ante o perceptível.

Somente, após mobilização de todos, comprometidos com o lícito, a moral e os bons costumes, no uso de nossas atribuições enquanto povo, cidadãos e verdadeiros fiscais dos elementos constitutivos para o bom funcionamento de nossa sociedade, poderemos, então, lembrar o saudoso Mário Quintana, mas no tempo: “Eles passaram... / Nós passarinho!” (Júlio Carlos M. Carvalho é formado em fisioterapia).

 

O canalha e o puxa-saco

Por Evilácio Guimarães

EU SOU CANALHA... E QUEM NÃO O É?! (Ibrahim Sued). Antes que as envenenadas línguas de fogo de plantão comecem a tecer, quero deixar bem claro que este texto NÃO é objetivamente direcionado aos meus desafetos pessoais, nem subjetivamente intencionado a alguém da nossa convivência social; portanto, é meramente ilustrativo.

Tanto o canalha quanto o puxa-saco são elementos deletérios e de reputação duvidosa que, ao longo dos anos, estão presentes na história da humanidade em todos os níveis e classes sociais de todos os tempos. Incrivelmente, existe até o puxa-saco do puxa-saco - aquele que fica à espreita de uma vaguinha junto ao canalha-mor e, se descuidar, ele se agacha pra tirar a poeira do sapato do chefe intencionando puxar o tapete! Outro tipo comum é o “puxa-saco genérico” que bajula até presidente de aeroclube de urubus! - Evidentemente que ninguém escapa das artimanhas do puxa-saquismo e da canalhice; em algum momento fomos, somos ou seremos vítimas dessas pragas sociais. Seja no trabalho (e principalmente), na escola, na igreja, na política, na família, enfim em qualquer lugar lá está o tinhoso puxa-saco. Ainda bem que aqui na Lapa não tem!... CALA-TE BOCA! Diz a sabedoria popular que “É melhor prevenir, que remediar.” - Que tal a gente fuçar um pouco o submundo do canalha e do puxa-saco? Vejamos.

O PUXA-SACO - Uma das versões sobre a origem do termo “puxa-saco” é essa: - Conta-se que antigamente (e bota antigamente nisso), quando uma família real mudava de palácio ou mesmo de cidade, o percurso terrestre seguia em cortejo donde as jóias, presentes, utensílios, prataria, imagens, objetos de ouro, e toda bugiganga de uso pessoal da coroa era colocada num grande saco de couro (alforje, matolão). Esse volumoso e pesado saco era conduzido por uma pessoa da confiança do rei. Por medida de segurança ele seguia a pé, atrás e próximo à carruagem, ladeado pelos guardas imperiais, e puxando esse saco estrada a fora. A partir daí, surgiu o termo “puxa-saco do rei”; hoje, simplesmente “puxa-saco”. Para facilitar o reconhecimento e a convivência com o puxa-saco, existem algumas dicas que podem ajudar na sua identificação, a partir das definições seguintes:

1 - Quando o chefe chega, ele é o primeiro a dar bom-dia com um grande sorriso nos lábios; 2 - O puxa-saco nunca responde ao chefe com um “sim” ou um “não”, ele sempre diz “sim senhor” ou “não senhor”; 3 - Toda vez que o chefe espirra ele diz “saúde”, não importa a quantidade de espirro; 4 - Ele morre de rir das piadas que o chefe conta, mesmo que seja a mais sem graça do mundo; 5 - Ele tem sempre no carro um adesivo igual ao do carro do chefe; 6 - Ele Tenta se parecer ao máximo com seu chefe. Se o chefe usar óculos de grau, ele usa também, mesmo sem problemas de vista; 7 - Ele nunca sai do trabalho antes do chefe; 8 - Ele sempre se esforça ao máximo pra demonstrar muita eficiência; 9 - Quando é passada uma tarefa, ele faz numa velocidade descomunal; 10 - Quando o chefe solta um pum, ele finge que não ouviu e nem sentiu nada; 11 - O puxa-saco sempre torce pro mesmo time do chefe, ainda que esse time seja o Íbis Sport Club de Pernambuco; 12 - Ele é sempre atencioso e demonstra muito carinho pelos familiares do chefe; mesmo que sejam pessoas reconhecidamente insuportáveis; 13 - O puxa-saco é obediente e fiel; acredita que mesmo sendo incapaz, um dia ele será Chefe de algo, ainda que isso se restrinja ao controle de entrada e saída dos demais colegas; 14 - Ele sempre está ao redor do Chefe, em órbita elíptica, 360 dias no ano, em todas as suas horas, segundos, e em eventual nova descoberta sobre o tempo da Física; 15 - O puxa-saco se utiliza da falta de amor próprio e de seu complexo de inferioridade, a ponto de lamber todas as migalhas deixadas pelo Chefe; 16 - O puxa-saco, em sua pouca inteligência, confunde suas atividades servis com poder, e isto o levará a uma lenta e triste derrocada; 17 - O puxa-saco esquece de sua natureza insignificante e começa a adentrar a Zona de Poder do Chefe.

Enfim, o puxa-saco é aquela figura sem talento, mas astuta e muitíssimo esperta e que utiliza ardis poderosos para manter-se sob a luz do Chefe. - No Brasil, ficou muito conhecida a estória do puxa-saco a quem o então presidente Getúlio Vargas perguntou as horas, certa feita, no aeroporto. O puxa-saco olhou o relógio e, sem pestanejar, informou assim: - "São as horas que Vossa Excelência desejar, Senhor Presidente!". E o presidente Vargas, sempre com um sorriso nos lábios, retrucou: - "Pode botar seu relógio fora, menino! Ele é de muito má qualidade”. - Tem também, a estória do funcionário público que era tão puxa-saco, tão puxa-saco que entrou no gabinete do chefe e, ofegante, explodiu: "Sabe, meu chefe, estou muito contente, muito feliz, mesmo. É que a minha mulher deu à luz ontem. Só queria que o senhor visse o menino: é a sua cara, chefe! - Pra refrescar a memória ou pra conhecimento, nos carnavais da década de 60, uma das marchinhas que mais fez sucesso tinha essa estrofe:

“Lá vem o cordão dos puxa-saco / Dando viva aos seus maiorais, / Quem tá na frente é passado para trás, / E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais!” Dá saudade dos velhos carnavais!... Dos velhos puxa-saco... NUNCA!

O CANALHA - O verbete “canalha” tem significados; mas não tem história. - Canalha é canalha, e pronto! Por se tratar de um desvio inato de conduta ou da má formação do caráter, não é fácil identificar o canalha com uma simples visualização; mas, assim como a lesma por onde passa deixa o rastro, o canalha deixa seqüelas nas suas vítimas. Melhor ficarmos atentos nas pegadas deixadas pelo canalha, elas apontam em direção a ele. Por exemplo:
1 - O canalha é aquele que não concorda com você, mas diz que está certo; 2 - O canalha aprova sem aprovar, aplaude sem aplaudir, sofre sem sofrer, manda cartões de pêsames sentindo parabéns; 3 - Os amigos do canalha duram o tempo da função que eles exercem; 4 - O canalha pode ser tratado permanentemente por excelência, mas jamais será excelente; 5 - Promessas de canalha não é dívida, é dúvida; 6 - Onde reside o canalha? Em todos os lugares, todas as situações - menos nele mesmo; 7 - O canalha é um sertanejo às avessas. Ele é antes de tudo um fraco; 8 - O canalha engorda com a inflação e com a fome alheia; 9 - Quem diz que o canalha dorme? Ele é um eterno vigilante. Por isso, com ele os bons não conseguem sobreviver; 10 - Quando Jesus Cristo disse que os filhos das TREVAS são mais espertos do que os filhos da LUZ, ele via diante de si a multidão de canalhas querendo usufruir o poder; 11 - Um canalha quando mora num palácio, ele se diz pragmático; 12 - O canalha jamais aceitará um concorrente. Ele vive de jogadas. Aliás, para ele a vida é simplesmente um jogo; 13 - O canalha mata o pai e a mãe, chora no enterro, e depois pede auxílio por ser órfão; 14 - O carro preto à mão de um canalha será o carro fúnebre de quem o atrapalhar na sua canalhice; 15 - Um povo está em decadência, quando não consegue distinguir quem não é canalha; 16 - As artimanhas do canalha, muitas vezes o transformam em amado. Aí reside o grande perigo. Mussolini foi amado por algum tempo. Hitler também. Nero também; 17 - O CANALHA JAMAIS SOFRE!

Enfim, se o canalha e o puxa-saco forem colocados num liquidificador e batidos na velocidade máxima, resulta num terceiro elemento também deletério e de reputação duvidosa, que é o “hipócrita”; e que pode ser definido como: “A pessoa que faz tudo para parecer aquilo que ela pensa que nós pensamos que ela é.” Refletindo sobre a hipocrisia e a canalhice brasileira sustentadas pelo puxa-saquismo, o poeta Patativa do Assaré nos legou esses versos: “Inquanto o Brasi di cima / Fala di transformação / Industra matéria prima / Discobertas e invenção ,/ O Brasi di baxo insiste / No drama penoso e triste / Da negra necissidade: / É uma coisa sem jeito / E o povo não tem direito / Nem de dizê a verdade.”

Dá saudade dos velhos poetas!... Dos velhos canalhas... NUNCA!
“EU SOU CANALHA... E QUEM NÃO O É?!” Frase de Ibrahim Sued (Carioca-Jornalista. Colunista Social. Compositor). Essa frase ficou famosa nos anos 70, pelas circunstâncias que ela foi dita. Nos anos 70 o Brasil tava em plena Ditadura; e a nata intelectualizada sempre que possível “descia o cacete” nos militares. Conta-se que numa rodada de amigos Ibrahim Sued disse: “A alta cúpula das Forças Armadas está cheia de canalhas”. Dias depois, ele foi convidado pra ser mestre-de-cerimônias de uma festa no Clube dos Oficiais do Rio de Janeiro. Nesse meio tempo, ele foi avisado que era uma armação para prendê-lo. Mesmo correndo o risco de ser preso, ele compareceu ao evento; e em tom de desafio, apontou o dedo pra todos e disse: “Eu sou canalha... E quem não o é?!” E após alguns segundos de perplexidade, todos caíram em gargalhadas e ovacionaram o saudoso Ibrahim Sued. E lá estava A CANALHICE, O PUXA-SAQUISMO, E A HIPOCRISIA! Ademã, que eu vou em frente... (Evilácio Guimarães é bancário aposentado, ex-vereador, pedagogo e membro da Academia Lapense de Letras).

 

Palavras de ordem

Por Mara Cerqueira

Vamos combinar que não dá para perder a oportunidade de dar algum palpite do que vai acontecer no ano de 2010. Até quem fica sempre calado quer falar. É início de ano e tudo fica com a idéia de renovação. Mas, vale lembrar que no início de ano todo mundo faz muitos propósitos. Há quem faça até lista de tudo que vai realizar durante o ano. Porem, é preciso ficar atento para a velha mania de deixar tudo para depois: aquela atividade física que você jurou que ia começar ao iniciar do ano, não se esqueça que ela era importante quando disse que ia começar; O “checape” que ia fazer para ver como estava a saúde do seu corpo; os estudos que você sabe que vão ser importantes para sua carreira e enriquecimento pessoal; o trabalho voluntário que sabe que precisa fazer, afinal, alguém precisa dele; a reeducação alimentar que precisa fazer, pois está acima do peso ideal e ainda tem problemas de intestino preguiçoso; a reeducação financeira para este ano, pois em 2009 terminou endividado e não quer que isso aconteça no ano que começou; e essa lista se prolongaria se caso tivesse tempo e espaço, Ah! Não dá pra esquecer sua atividade religiosa, porque prometeu ser mais engajado este ano.

São tantas as promessas! Pena que dificilmente serão todas cumpridas quando o ano terminar. Vale lembrar que o planeta seria muito melhor para se viver se os desejos de melhorias pessoais fossem cumpridos, pelo menos um por habitante.

Neste ano, tem algumas coisas que talvez não fizessem parte da sua lista, se informar sobre o aquecimento global, por exemplo, afinal, você é um dos respostáveis por ele, e isso vai lhe custar pouco esforço. Tente comprar em empresas que cuidem do meio ambiente, ou têm projetos internos para diminuir a quantidade de gases emitida na camada de ozônio, procure saber se as empresas onde você compra apóiam algum projeto social, cultural ou educativo, é uma ótima forma de você melhorar sua vida. Não se esqueça dos produtos que você usa, eles têm que estar investindo em idéias novas, principalmente ligadas a melhorias no planeta. Reflita! Uma empresa que não se preocupa com o bem estar geral não merece sobreviver ou precisa se reinventar; essa é a palavra mágica para 2010: R E I N V E N T A R. Mesmo que você não faça nada da sua lista, pelo menos estas dicas precisam ser cumpridas com muito capricho e isso é consenso entre todos os segmentos sociais: Religiosos, Culturais, Econômicos, Políticos, e outros. Até no ramo de publicidade, o lema para 2010 é este: “Lucra mais quem pensa mais no bem comum”. Palavras de ORDEM! (*Mara Cerqueira é diretora do Visto).

 

Farinha pouca, nosso pirão primeiro!

Por Evilácio Guimarães

04/01/2010

“Devemos usar, com cuidado e com proveito, tudo que a nós foi confiado, pois não é “nosso” e nos foi confiado apenas temporariamente”. (Buda)

Sidarta Gautama (Buda), 600 anos antes de Cristo, narrou essa história: - Uma rainha deu quinhentas peças de roupas à sua criada. O rei, suspeitando da criada, perguntou-lhe o que iria fazer com as quinhentas peças? - Ela respondeu-lhe: “Ó, meu rei, muitos irmãos estão em farrapos e eu vou distribuir estas roupas entre eles.” - Assim estabeleceu-se o seguinte diálogo:

“O que farão com as velhas roupas?” “Faremos lençóis com elas.” “O que farão com os velhos lençóis?” “Faremos fronhas.” “O que farão com as velhas fronhas?” “Faremos tapetes com elas.” “O que farão com os velhos tapetes?” “Usá-los-emos como toalhas de pés.” “O que farão com as velhas toalhas de pés?” “Usá-las-emos como panos de chão.” “O que farão com os velhos panos de chão?” “Sua alteza, nós os cortaremos em pedaços, misturá-los-emos com o barro e usaremos esta massa para rebocar as paredes das casas.”

Estamos no ano de 2010 e o conceito de reciclagem contido nessa história, narrada há 600 anos antes de Cristo, nos dá um puxão de orelhas e aponta alguns significantes da palavra RECICLAR. Vemos claramente no diálogo da criada com o rei, alguns princípios éticos e processos de sofrimentos mentais, quais sejam: a) Na prática - a reciclagem como reaproveitamento material; b) No âmbito social - a solidariedade, pela distribuição das roupas aos necessitados; c) No plano espiritual - a consciência de que nada temos nada levamos; d) No campo racional o aproveitamento das sobras para recompor, mentalmente, o que antes era inteiro e concreto; e) No processo mental - o esforço que a criada faz para não perder o valor estimativo daquilo que é vital para a continuidade do vínculo social. Logo, reciclar vai muito mais além de um simples reaproveitamento material.

Consonante com a narrativa de Buda tem essa passagem Bíblica: “... E ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutra sorte, o vinho novo rompe os odres e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser deitado em odres novos.” (Marcos, 2:22) Sendo reciclar a transformação do velho para novo, vemos nessa passagem Bíblica que a coisa nova (idéia, proposta, pessoa, etc.) Em princípio, é rejeitada; portanto, precisamos nos reciclar e abrir a nossa mente para possibilitar a entrada e aceitação de novos caminhos, assentando-nos nos seguintes princípios: a) Abrir caminhos para o novo, respeitando o antigo; b) Quando entrar deixe a porta aberta pra outros que virão; c) Chegando lá, prepare o ambiente pro futuro dos nossos filhos e prepare os filhos pro futuro do nosso ambiente. Só assim, as novas gerações terão a garantia de dias melhores. 2010 era futuro, e estamos em 2010; logo, O FUTURO É HOJE! - O Ano Velho é a experiência; o Ano Novo é o sonho. - Buda sonhou... Cristo sonhou... Nós também podemos e devemos SONHAR!

E O PAPEL DO POLÍTICO É AJUDAR O POVO A REALIZAR OS SEUS SONHOS! - 2010 é um ano que traçamos o destino da Nação elegendo o Presidente da República, Senadores, Governadores, Deputados Federais e Estaduais. E o ato de votar tem seus significantes porque envolve três personalidades com sonhos diferentes: O CANDIDATO Sonha com a probabilidade de atingir graus mais altos do poder; b) O POLÍTICO Sonha com a possibilidade de manter-se entre o poder e o povo; c) O ELEITOR Sonha com a oportunidade de por no poder alguém que traga benefícios e que esteja próximo da sua realidade pessoal, ideológica e social. Conforme ensina a narrativa de Buda e a passagem Bíblica, dar um voto de confiança a alguém não é só uma obrigação civil; acima de tudo, é contribuir com o futuro que sonhamos! “O peixe de água salgada não consegue adaptar-se em água doce, e vice-versa; o problema não está no peixe, é o meio ambiente que não está preparado para recebê-lo.” Com certeza, a Lapa já tem o ambiente preparado e um candidato a Deputado Federal, “prata da casa”, adaptado ao nosso meio. Portanto, chegou a nossa vez de fazer o “dever de casa” como fazem em Santa Maria da Vitória, Caetité, Barreiras, Guanambi e outras cidades que, há anos, levam daqui milhares de votos pra eleger o seu Deputado Federal! De agora em diante... FARINHA POUCA, NOSSO PIRÃO PRIMEIRO! (*Evilácio Guimarães é ex-vereador, bancário aposentado, pedagogo e membro da Academia Lapense de Letras).

 

Perspectivas para 2010

O próximo ano deverá ser, no plano econômico, uma edição melhorada deste agonizante 2009. Haverá sensível aceleração do crescimento, com o natural cortejo de conseqüências previsíveis, como aumento do emprego e renda para todas as faixas do espectro social. Essa é uma vitória da estabilidade iniciada no governo Fernando Henrique Cardoso, com o domínio da inflação, redução da presença do estado na economia, política que vem sendo seguida pelo governo Lula, não obstante pequenas distinções periféricas que não afetam a essência do conjunto. Tem sido graças a essa continuidade operacional ao longo dos quinze anos que compreendem os dois governos que o Brasil vem se afirmando perante o mundo como mercado atraente para grandes investimentos. É inegável, portanto, que o Brasil dá passadas largas na direção do primeiro mundo.

Há, porém, obstáculos consideráveis a serem vencidos, todos eles deitando raízes profundas na má qualidade do ensino básico brasileiro, sendo os mais ostensivos a violência galopante e o clima reinante de generalizada impunidade de todo tipo de delito.

As vozes mais autorizadas são unânimes em reconhecer que se não houver alterações profundas no modo de encararmos o significado da educação para o avanço das sociedades modernas, corremos o risco de retardar se não o de inviabilizar a materialização de todo o variado leque de nossas enormes possibilidades de avanço econômico e social.

Desgraçadamente, informados de que a maioria da população brasileira, conforme pesquisas recentes, não dá a devida importância ao papel da educação no desenvolvimento dos povos, nossos políticos, mais preocupados com o resultado das próximas eleições do que no destino das próximas gerações, continuam criminosamente a relegar a plano secundário a indispensável tarefa de investir no preparo de nossa juventude, como fizeram todas as nações desenvolvidas do mundo, constituindo os exemplos mais recentes a Coréia do Sul e a Finlândia. Nossa realidade é tanto mais grave quando se sabe que educação é um processo que demanda tempo e continuidade por sucessivas administrações, não é como uma estrada, um edifício ou uma ponte que podem ser iniciados e concluídos em uma única gestão.

Enquanto não alcançamos o patamar desejável de eficácia no preparo das gerações jovens e na reciclagem sistemática dos profissionais em exercício, é imperativo acabarmos com a impunidade reinante que, além de representar um acinte aos cidadãos probos, é um estímulo à criminalidade, pela rápida e perniciosa disseminação do entendimento de que no Brasil, diferentemente do velho aforismo moralizador, o crime compensa.

Em matéria de impunidade, o povo brasileiro, entre incrédulo, indignado e impotente, assiste ao colapso de seu sistema judiciário penal. Adensa-se a convicção em todas as mentes de que entre nós quem tiver dinheiro para contratar bons advogados pode delinqüir a mancheias que nunca será punido como manda a lei.

Em matéria de impunidade, o ano se finda com exemplos de ostentatória obscenidade. Mencionemos apenas três:1) o governador de Brasília, flagrado repartindo com os membros da quadrilha que chefia o butim resultante do assalto ao Erário, parece que governará até o último dia do seu termo; 2) o soldado que assassinou com o carro que dirigia, em Lauro de Freitas, a mãe, uma filha e mandou uma outra para as incertezas da sobrevivência, vai se defender em liberdade como assegura nossa legislação boazinha e tranquilizadora dos criminosos. Anotem: nada lhe acontecerá, menos porque tenha dinheiro e mais porque será beneficiário da funesta e subdesenvolvida prática da solidariedade corporativa; 3) o debilóide que enfiou dezenas de agulhas no corpinho de uma criança de dois anos será libertado por força da lei. Da nossa lei.

2010 é ano de eleições. Refletir sobre a importância do voto não é tudo, mas é um bom começo. É fundamental votar nos melhores, nos mais honestos que ainda há. É verdade que esses representam uma minoria cada vez mais reduzida. (Fonte: Tribuna da Bahia)

 

O que vou ser quando crescer?

Por Lieci Cerqueira

Embora o colegial pareça ser os últimos e decisivos anos para a escolha da carreira profissional, alunos de 17 e 18 anos têm maturidade e opinião formada sobre o que realmente querem fazer pelo resto da vida?
O teste vocacional declara que devo escolher uma profissão ligada a psicologia e entendimento da sociedade, os meus pais acreditam que medicina e engenharia ainda são as melhores opções, mas a minha professora tem certeza que eu deveria seguir sua carreira, pois sou sua melhor aluna de português. E eu, fico sem saber o que assinalar na hora da inscrição para o vestibular. Enfim decido e escolho: Design Gráfico. A escolha perfeita, pois desenho desde os cinco anos, adoro computador e já fiz até alguns cursinhos de mangá.
Concluo a inscrição, fecho a página na internet, me olho no espelho e sinto um alívio. Minha mãe pergunta com olhos brilhantes:
- Então filha, fez a inscrição para Medicina? E eu respondo: - Sim. Mais tarde, meu pai indaga: - Filhona, vejo que está mais feliz hoje! Aposto que já fez a inscrição para Engenharia, acertei? E eu novamente respondo: -Sim. No dia seguinte minha professora vem em minha direção toda contente e pergunta: - Querida, já se inscreveu para Letras com habilitação em Português? Eu me enrolo um pouco e pergunto. -Letras com quê? - Com habilitação em Português, para você poder dar aula assim como eu. E eu sorrindo respondo. -É claro professora. O resultado do vestibular sai, e minha mãe, meu pai, minha professora, vêm até mim aflitos. - Não acredito que você não tenha passado. - Ham? Espanto-me com o questionamento. -Você não está na lista? Informa minha mãe.
- É claro que estou.. Respondo feliz e radiante. Pego um papel dentro da minha pasta e mostro. “6º lugar Mariana Pereira Bastos - Design gráfico - SENAI”. - Vocês sabiam que esta é a melhor escola técnica do país? Tento dissimular a situação. Fiquei sem resposta e sozinha, pois todos saíram juntos e nem sequer me deram tchau. Dá pra acreditar?
Acredito que decepcionei a todos, mas fiz o deveria fazer. Vou estudar na melhor escola técnica do país e vou ter férias sonhadas. Meus pais vão viajar, as aulas terminaram e eu estou de castigo. Dá pra acreditar de novo? E durante todas as férias. Ficarei em casa sozinha e com algumas economias, afinal a minha mesada também vai sair de férias com meus pais.
Quer saber! Foi melhor assim. Terei dois anos para pensar na tão sonhada universidade! Afinal, só tenho 17 anos e ainda não decidi se gosto de ovos mexidos ou omelete!
Se me complico em duas escolhas, imaginem em quatro! Isto é, cinco, já ia me esquecendo que eu também tenho direito de escolher “o que vou ser quando eu crescer”.

 

Enfim... O Fim!

Por Evilácio Guimarães

Reflexão natalina: “Nossos filhos devem possuir as mesmas coisas que as outras crianças, mas eles devem também ser privados daquilo que falta às outras crianças.” (Che Guevara)

EITA!... QUE SUFOCO ESSE TAL DE 2009, HEIN?! - Ainda bem que só falta um tiquinho! Pensando bem, todo mundo tem algum motivo pra comemorar a virada do ano. Uns felizes pelo que de bom aconteceu; outros, aliviados porque chega ao fim um péssimo ano. Uma coisa é certa: presépios e presepadas vão ter de montão pra se comemorar! Afora o sentimento de Cristandade, sobra a costumeira hipocrisia social: receber cartão de desconhecidos... Enviar cartão pro vizinho em vez dar um abraço... O comércio deseja “Próspero Ano Novo” pra continuar esfolando o seu bolso... Alguém diz “Feliz Natal”, mas doido pra dar um murro... O abastado ceia peru com chapagne, espiado pelo olhar pidão de quem só come “o pão que o diabo amassou”... Centenas de amigos listados no ORKUT, nenhum manda sequer um cartão... Pior ainda, é saber que tudo isso acontece em nome de um Justo que nasceu numa manjedoura e por amor morreu na cruz! Cada vez mais eu me convenço de que só existe solidariedade entre iguais! Mas... Hipocrisias à parte, estar vivo já é um bom negócio.

Contudo, se dermos uma olhadela de soslaio nas políticas públicas, a gente vê que não foi de todo tão ruim assim. Pois, mesmo com a recessão iniciada em 2008 e ressalvada as diferenças econômicas e sociais, o nosso município sofreu menos no setor público, haja vista a capacidade do Prefeito em administrar dificuldades priorizando as classes menos favorecidas com obras e assistência social básica.

Evidentemente que esse destaque soma-se à sua posição como Presidente da União dos Municípios da Bahia, elevando o nome da Lapa através duma conquista acirrada, da qual sou testemunho ocular e presencial. Neste caso, Justiça meritória se faz a dois titãs da política baiana, Gedel e Artur Maia, que em sintonia com o Prefeito não medem esforços para canalizar recursos pro nosso município. Portanto, vamos tirar o máximo de proveito desse “Trio Parada Dura”, pois inda temos mais três anos pra cobrar... Cobrar... E cobrar! - A esperança nos move nessa direção!

Cremos que a partir de 2010 a situação tende a melhorar. Ano político... Torneiras abertas... Possibilidade de eleger um Deputado Federal “prata da casa”... No mais, é a gente fazer por onde as coisas boas nos aconteçam... E pra quem teve um péssimo 2009, vem o alívio de poder dizer: ENFIM... O FIM! (*Evilácio Guimarães é pedagogo, ex-bancário e ex-vereador e membro da Academia Lapense de Letras).

 

Boca no Trombone

Por Evilácio Guimarães

RASGARAM A PRIMEIRA PÁGINA DA HISTÓRIA DE EMANCIPAÇÃO DA CIDADE! - Puxa-Saquismo... Ignorância... Burrice... Estupidez... Sacanagem... Ou tudo junto?! - É um absurdo o troca-troca de nomes das ruas da Lapa! Se continuar assim alguém poderá dizer “eu moro na ex-rua tal, hoje rua tal e amanhã terá um nome qualquer!” O povo ficou estarrecido com a retirada do nome J.J.SEABRA de uma rua do centro histórico da Cidade! Capciosamente, não retiraram os nomes Av. Paulo Souto, Rua Sílvio Santos, Rua Transbrasil, dentre tantas outras aberrações! Pra quem ainda não sabe, o Dr. José Joaquim Seabra (JJ Seabra) governou a Bahia por duas vezes, 1912 1916 e 1920 1924; E FOI O DR. JJ SEABRA QUE, NO DIA 31/08/1923, ASSINOU O DECRETO DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE BOM JESUS DA LAPA! Ora!... Se quem fez da Lapa uma cidade sofre um desrespeito desses, a quem mais essa gente vai respeitar? Por muito menos vergonha, um avestruz enfia a cabeça num buraco!... Que fiquem alerta a Igreja Católica, o Conselho de Defesa do Patrimônio, a Academia de Letras de Bom Jesus da Lapa, os Educadores, o IBGE, os cidadãos e cidadãs de bom senso! Pois, a qualquer momento, os “Déspotas Esclarecidos” de plantão negarão o nome do fundador da Lapa e mudarão o nome do Município, para fazer homenagens aos seus iguais!

A história de uma cidade se escreve com a história do seu povo. Portanto, devemos homenagear dando nomes de ruas, avenidas, logradouros públicos, etc. àquelas pessoas que contribuíram com essa história. Obviamente, ninguém é contra uma homenagem a outrem; por outro lado, ninguém é a favor que se “descubra um Santo para cobrir outro”!... Afinal, existem bairros novos, com novas ruas e avenidas que podem ser denominadas com homenagens póstumas aos nossos concidadãos. O que se questiona são os critérios usados, ou a falta deles; pois, nessa incessante troca de nomes, não estão levando em conta os transtornos e prejuízos decorrentes. Por exemplo, o desvio de correspondências... Contas de água, luz, telefone, etc. não recebidas... Perdas de oportunidades pela não confirmação de endereço, tais como: concursos, currículos de trabalho, inscrições de vestibular... Rompimento de relações interpessoais e comerciais... E muito mais!
Essa temática de há muito é motivo de preocupação da Academia de Letras de Bom Jesus da Lapa; inclusive com abordagens amiúde e aprofundadas. Pois, além da adequação dos nomes, tem o problema de numeração e colocação de placas indicativas. É preciso um grande debate envolvendo o Legislativo, a sociedade organizada, o Executivo, os Conselhos pertinentes e instituições diretamente ligadas ao tema/problema tais como COELBA, ECT, SAAE, EPC, IBGE, as escolas, a imprensa falada e escrita como grandes formadores de opinião. Vejamos alguns exemplos do problema: a) Travessas da Av. Manoel Novais com o nome de “Travessa Lauro de Freitas”; b) A Rua Floriano Peixoto se funde e confunde com a rua Cel. Avelino Bastos; c) A Rua Sta. Luzia que, originalmente, inicia na Loja Maçônica “Luz e Liberdade” e termina no Cemitério, já ultrapassou o bairro São Miguel que nem existia naquela época; d) Existem ruas com menos de 50 casas, cuja numeração ultrapassa o número 1000; e) Existem ruas que as casas localizadas no centro têm a numeração maior do que as periféricas; f) Muitas casas do Centro Histórico foram demolidas, e os números originais não foram mantidos nas novas construções; g) Existem ruas com números pares e ímpares no mesmo lado; h) O bairro Magalhães Neto, originalmente, é “Conjunto Habitacional Magalhães Neto” que pertence ao bairro São Miguel. Só esses exemplos já dão a dimensão do caos urbano. Preocupa-nos que a Lapa está crescendo com rapidez e desordenadamente! E se alguma providência concreta e perene não for tomada, resta-nos a tristeza de ver a História da nossa querida Cidade perder-se no caos urbano!

Como forma de protesto contra o desrespeito ao sentimento do povo, deixo para aqueles que insistem em dar nomes de ruas, usando o puxa-saquismo pra obter votos da família do homenageado; ou, talvez, para ter a simpatia do eleitorado dando nome de um político ou de um ídolo nacional, a idéia plausível de usar o mesmo critério Imperial; ou seja, acrescentar nos nomes dos próprios filhos, o nome do homenageado; como exemplo, o nome de D. Pedro I era Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon; e o da Princesa Isabel era Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga Bourbon de Orléans e Bragança. Dá até pra imaginar o nome do filho do puxa-saco assim: “Lula Wagner César Borges Paulo Souto Zé Rocha Arthur Maia Pelé Kaká Ronaldinho Gil Caetano Chico Buarque Faustão Senna e Seleção Brasileira”; e o nome da filha assim: “ Xuxa Betânia Gal Luiza Erundina Chica do PT Marisa Monte Mulher Melancia Benedita da Silva Ana Maria Braga Hortência e Novela das Oito”. Lindo, lindo, não? - Melhor assim do que mexer com o sentimento do povo! - E se não dermos um “BASTA!” aos “Déspotas Esclarecidos” de plantão, a coisa tende a piorar! (*Evilácio Guimarães é Pedagogo, ex-bancário, ex-vereador, membro da Academia Lapense de Letras).

 

O dia da Bíblia

*Pr. Sebastião Gonçalves

O Dia da Bíblia surgiu em 1549, na Grã-Bretanha, quando o Bispo Cranmer, incluiu no livro de orações do Rei Eduardo VI um dia especial para que a população intercedesse em favor da leitura do Livro Sagrado. A data escolhida foi o segundo domingo do Advento - celebrado nos quatro domingos que antecedem o Natal. Foi assim que o segundo domingo de dezembro tornou-se o Dia da Bíblia. No Brasil, o Dia da Bíblia passou a ser celebrado em 1850, com a chegada, da Europa e dos Estados Unidos, dos primeiros missionários evangélicos que aqui vieram semear a Palavra de Deus.

Durante o período do Império, a liberdade religiosa aos cultos protestantes era muito restrita, o que impedia que se manifestassem publicamente. Por volta de 1880, esta situação foi se modificando e o movimento evangélico, juntamente com o Dia da Bíblia, se popularizando.

Pouco a pouco, as diversas denominações evangélicas institucionalizaram a tradição do Dia da Bíblia, que ganhou ainda mais força com a fundação da Sociedade Bíblica do Brasil, em junho de 1948. Em dezembro deste mesmo ano, houve uma das primeiras manifestações públicas do Dia da Bíblia, em São Paulo, no Monumento do Ipiranga.

Hoje, o dia dedicado às Escrituras Sagradas é comemorado em cerca de 60 países, sendo que em alguns, a data é celebrada no segundo Domingo de setembro, numa referência ao trabalho do tradutor Jerônimo, na Vulgata, conhecida tradução da Bíblia para o latim. As comemorações do segundo domingo de dezembro mobilizam, todos os anos, milhões de cristãos em todo o País.

Por isso é tempo de ouvir a voz de Deus. Você alguma vez já se perguntou se Deus ainda fala com as pessoas hoje em dia? E se fala, será que você também pode se comunicar com Ele? Bem, acredite ou não, a resposta é sim e este livro explica como. Primeiramente, para poder compreender como é possível nós, meros humanos, nos comunicarmos com o grande Deus e Criador do Universo, é importante entendermos o quanto Deus nos ama. Ele ama tanto a cada um de nós, que há muitos anos mandou Seu filho Jesus à Terra para morrer pelos nossos pecados e nos dar a dádiva da vida eterna no Céu para aqueles que nEle crêem. Em seu amor, Deus também nos deu a Bíblia, pela qual nos diz como viver em amor com Ele e com o próximo. A Palavra de Deus na Bíblia também nós dá fé, consolo, encorajamento, força e as instruções que precisamos na nossa vida ocupada e freqüentemente estressante.

Mas não pára aí. Deus nos ama tanto que não só quer falar conosco através da Sua Palavra escrita em tempos passados contida na Bíblia, mas também quer Se comunicar com cada um de nós pessoalmente, hoje! Ele sabe que temos perguntas, dúvidas e dificuldades, e quer nos dar as respostas que precisamos, as Palavras de fé e confiança que nos ajudarão em tempos difíceis. Assim sendo, criou uma porta, um canal entre Ele e cada um de nós, para que através da oração possamos falar com Ele e, em resposta, ouvir o que Ele tem a nos dizer.

Talvez se pergunte se Deus pode falar com você embora não O conheça muito bem. Será que Ele fala apenas com as pessoas perfeitas, ou com àqueles que, ao longo de anos, tiveram a oportunidade de estudar as Palavras já registradas? De jeito nenhum! A Bíblia diz: "Da boca das crianças e dos que mamam tu [Deus] suscitaste força". A verdade é que ninguém, por melhor que seja, é digno de se comunicar com Deus, mas Ele, por amor, fala com qualquer um que tiver um pouco de fé, como a fé de uma criança.

Ele quer falar com você, lhe dar uma chance de experimentar Sua infinita sabedoria e amor, ajudá-lo a crescer passo a passo e a conhecê-lo e compreendê-lo melhor. "Fale Comigo," Ele diz, "e Eu responderei. Perguntem-Me e Eu contarei a você segredos fabulosos". (Jeremias 33.3).

Como mencionado anteriormente, Deus fala aos que crêem de várias maneiras diferentes. Quando o faz através da Bíblia (algo que ocorre com muita freqüência), permite que, à medida que a pessoa lê certo trecho, este lhe chame a atenção, e mostra como se aplica à sua situação ou como esclarece a dúvida que ela tinha. Às vezes também fala através de conselheiros, pessoas tementes a Deus, em sonhos e visões e nos últimos dias nos tem falado através do seu único filho Jesus Cristo. Nesta breve reflexão, entretanto, falaremos sobre uma forma muito pessoal e específica que Deus usa para falar com Seus filhos: a profecia. O que é profecia?

É Deus falando conosco através da Sua Palavra escrita ou, quando realmente ouvimos palavras específicas em nossa mente que acreditamos, Ele nos esteja falando, e quando as expressamos, isso é profecia. É possível estar escutando a voz de Deus nas vezes em que não se fala ou se escreve o que se recebe e não há nenhuma lei que diga não ser isso também profecia. Todavia, como lerá mais adiante, há algumas boas diretrizes que convém observarmos quando recebemos profecias, tais como comparar com a Bíblia as coisas que recebemos diretamente, assim como confirmar a mensagem recebida com outros crentes. Então, para mantermos a coisa simples, quando faço referência à profecia estou falando de profecia falada ou registrada. Quando a maioria das pessoas ouve as palavras "profeta" ou "profecia", imediatamente pensa em pessoas que predizem o futuro. Bem, muitos dos profetas de Deus nos tempos bíblicos previram acontecimentos futuros, mas este não é o único tipo de profeta que existe, nem todas as "profecias" estão relacionadas com o futuro, muito menos com a Bíblia. Uma das definições do dicionário para profecia é "mensagem divinamente inspirada". Profetizar é, portanto, o ato de receber mensagens de Deus, independentemente de se referirem ao passado, ao presente ou ao futuro. Há muitas maneiras através das quais o dom de profecia pode beneficiar você pessoalmente. Através dele, Deus pode lhe dar respostas bem específicas para os problemas que encontra na vida, palavras de consolo quando está doente ou desanimado, pode lhe mostrar como compartilhar a sua fé com outros, assim como lhe dar instruções precisas sobre como ajudar pessoas necessitadas. Ele quer que você seja capaz de ouvir o que Ele tem a dizer hoje, tanto para a sua própria felicidade quanto para melhor demonstrar aos outros a sua fé em Deus. "Toda Escritura é inspirada por Deus". II Timóteo 3 versículo 16. "Sabendo, primeiramente, isto, que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto, homens falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo". II Pedro 1:20 e 21.

Você pode escutar os Céus! Coloque Deus à prova e veja se Ele não lhe abrirá a janela do Céu e derramará tantas bênçãos os tesouros da Suas Palavras para você pessoalmente que não terá onde conter todas! Portanto, através da Bíblia Deus fala com quem crê e a oração é a mão da fé que acionamos para falar com Ele, tudo que nos aflige e nos preocupa e ele esta sempre pronto pra ouvir e responder. Aproveite desta riqueza inigualável à hora que você quiser. "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje, e eternamente!" (Hebreus 13:8). Assim como falou aos homens de antigamente, Seus profetas do passado, Ele fala também a nós hoje. Ele ainda está vivo, graças a Deus! Muitos homens ilustres expressaram seu respeito por este livro testificando-lhe a influencia. Abrahan Lincoln: “Ou a Bíblia me afasta do pecado, ou o pecado me afasta da Bíblia

(D. Pedro II): "Eu amo a Bíblia, eu leio-a todos os dias e, quanto mais a leio tanto mais a amo. Há alguns que não gostam da Bíblia. Eu não os entendo, não compreendo tais pessoas, mas, eu a amo, amo a sua simplicidade e amo as suas repetições e reiterações da verdade. Como disse, eu leio-a quotidianamente e gosto dela cada vez mais." George Washington (Presidente dos Estados Unidos): “É impossível governar bem o mundo sem Deus e sem a Bíblia.” O Papa Pio VI: "Os fiéis devem ser incitados à leitura das Santas Escrituras, porque é a fonte mais abundante da verdade, e que deve permanecer aberta a todas as pessoas, para que dela tirem a pureza da moralidade e da doutrina, para destruir inteiramente os erros que se espalham tão rapidamente nestes tempos corruptos".

Napoleão Bonaparte: "O Evangelho não e simplesmente um Livro, mas uma força viva - um Livro que sobrepuja a todos os outros". Abraham Lincoln (Presidente dos Estados Unidos): “ Creio que a Bíblia é o melhor presente que Deus já deu ao homem. Todo o bem da parte do Salvador do mundo, nos é transmitido mediante este livro.” (*Pr. Sebastião Gonçalves é presidente da Opel).

 

Cadê eles?

Por Evilácio Guimarães

Os considerados “Prata da Casa”, onde estão?  Sabemos que o voto é obrigatório para os eleitores dos 18 aos 70 anos; e facultativo para os analfabetos, os maiores de 70 e os menores de 18 anos.  Mas em quem votar, é um direito livre e tácito! Por assim ser, cabe ao interessado provocar no eleitor estímulos que garantam, no futuro, um retorno individual ou coletivo. Portanto, o político que é afinado com seu grupo e com o eleitorado sabe que política se faz 24 horas por dia, 365 dias por ano. Pois, de modo geral, o eleitor espera a campanha pra decidir o seu voto; mas os partidos políticos, prefeito, vereadores, formadores de opinião e simpatizantes não podem ter a burrice de “deixar pra depois” as posições que devem ser tomadas JÁ!  E se ficarem na indolência até outubro de 2010, quando olhar no retrovisor do tempo só verá o rastro do “leite derramado” hoje!  Faltam onze meses pras eleições, e várias lideranças da política local já fecharam acordo de campanha com pré-candidatos a deputado federal e estadual. O que preocupa ao bom senso é que esses acordos, quase sempre, são feitos na base do “toma lá, dá cá!” com candidatos que só conhecem a Lapa através do Mapa Geopolítico da Bahia. Mas... O saudoso sociólogo, Betinho, bem dizia: “Não existe ideologia, de barriga vazia!” - E em tempos difíceis, esperar fidelidade ideológica de eleitor é burrice em dobro!

- Como quem sabe faz a hora, a gente vê todos os dias no noticiário nacional a oposição pipocando denúncias contra o Presidente Lula, acusando-o de fazer campanha antecipada para Dilma. Evidentemente ele nega; mas nas suas andanças sempre leva a tiracolo sua pretensa candidata. Contrariamente, os pré-candidatos a deputado federal e estadual que têm base aqui na Lapa, se acham “os reis da cocada preta” a ponto de não aparecer nem pra tomar a bênção do Bom Jesus!  Das duas, uma: ou não precisam dos votos da Lapa, ou pensam que o eleitor é obrigado a correr atrás do candidato!  Ora!...Mesmo com todas as mídias que o candidato tem à sua disposição (jornal, rádio, TV, internet, celular, etc.) até um cabo-eleitoral de Inspetor de Quarteirão sabe que o jurássico corpo-a-corpo ainda é o mais eficaz numa campanha!  Há que se advertir que não se trata de subverter a ordem das coisas, até mesmo porque todo mundo é cônscio de que a Lei Eleitoral proíbe uma série de ações tidas como campanha antecipada; mas não existe uma alínea sequer que proíba reuniões partidárias, pedir apoio, fazer acordos, visitar comunidades, reunir com lideranças, falar e ouvir as pessoas, ser solícito com os eleitores...  Até uma criança de doze anos sabe que “proibido” na política e pecado mortal do político, é cruzar os braços e achar que o mundo gira sob seus pés!... Por outro lado, sabemos que é humanamente impossível ao candidato fazer o corpo-a-corpo nos 417 municípios da Bahia. Para tanto, existe uma gama de mídias disponível. Tomara!... Que os “reis da cocada preta” picados pela mosca azul, desçam do “salto alto” e abracem esse povo que, há anos, perdeu o vínculo com a figura do deputado federal e estadual.  Abaixem a crista! E tenham a certeza de que o povo da Lapa agarrará com unhas e dentes a oportunidade de ter, na Câmara Federal e Estadual, a sua voz repercutida por quem é considerado uma “prata da casa”!  Caso contrário... Oxalá, o povo não dê as costas como resposta! (Evilácio Guimarães é ex-bancário, ex-vereador, pedagogo e membro da Academia Lapense de Letras).

 

Creche Katiuscia - um sonho de criança!

Por Evilácio Guimarães

“UM POLÍTICO PENSA NA PRÓXIMA ELEIÇÃO; UM ESTADISTA, NA PRÓXIMA GERAÇÃO” (James F. Clarke)

A palavra Creche, que tem origem francesa, significa “manjedoura”. Atualmente, mesmo mantendo as suas finalidades de origem, ela vai muito além de um lugar para abrigo e alimentação de crianças carentes. A creche hoje, além de uma necessidade é um direito de toda e qualquer criança, independente de classe, gênero, cor ou sexo. Cabe observar qe, a creche é uma instituição assistencial que ocupa o lugar da família, nas mais diversas formas de ausência. E vai desde a liberação da mulher-mãe para o mercado de trabalho até uma visão de mais longo prazo em preparar pessoas nutridas, sem doenças e socializadas. Para tanto, é previsto em lei que “O trabalho dos educadores de creche corresponde à assistência e à educação, oferecendo um atendimento comprometido com o desenvolvimento da criança em seus aspectos físicos, emocionais, cognitivos e sociais. (LDB/ 1996)”. Não por acaso, a creche tornou-se um dever de Estado, uma obrigação de Governo e um direito de toda criança!

Evidentemente que, aqui em Bom Jesus da Lapa, alguns Prefeitos tiveram a preocupação em construir creches ou mesmo preservar, em condições de funcionamento, aquelas já existentes. Todavia, nenhum deles levou tão a sério o cumprimento da Lei, quanto tem feito o Prefeito Roberto Maia. As creches construídas no seu Governo vão além do exigível e, folgadamente, contemplam todos os parâmetros de leveza arquitetônica, conforto, beleza, segurança e ambiente salutar para as crianças, educadores e funcionários. Parabenizar o Prefeito Roberto Maia, é o mínimo para quem tem o máximo de amor por Bom Jesus da Lapa! Esta constatação é claramente percebida quando se visita a nova CRECHE KATIUSCIA! E duvido muito que até mesmo o seu mais ferrenho adversário, ao visitar a nova creche, dê um parecer diferente! Na dúvida... siga a São Tomé: “VER PARA CRER!”

Nas minhas andanças pela vida e em cidades outras, não vi tampouco ouvi alguma informação que, por essas paragens, algum Prefeito tenha lucidez de um estadista a ponto de investir numa creche, metade do que Roberto Maia investiu na CRECHE KATIUSCIA. À luz de um prefeito qualquer esta obra, por si só, justificaria o seu mandato. Mas esta visão, sem sombra de dúvidas, não coaduna com a de quem mais investiu em bairros periféricos e carentes de Bom Jesus da Lapa; principalmente, com um olhar complacente para os lapenses que, ao longo dos anos, sofrem com ausência do Poder Público.

Criticar é fácil, principalmente, para quem faz oposição sem consciência de opositor. Mas, sobejamente, é muito mais fácil elogiar alguém que tenha feito algo de bom em prol da coletividade! Basta ter consciência de cidadania! (Evilácio Guimarães é bancário aposentado e ex-vereador).

 

Por "uma comunicação na era da tecnologia de ponta"

Por Pe. Cristovão Dworak, CScR

Caros(as) Comunicadores(as) e Leitores(as) do Semanário Visto. Certamente um acontecimento como este se soma a tantos outros esforços de comunicação que acontecem e aconteceram na história de Bom Jesus da Lapa. Esta história começou não só com a vontade de viver uma experiência religiosa por parte do ermitão, Francisco de Mendonça Mar (1657-1722), mas também com a missão de proclamar e comunicar a Verdade (cf. Jo 14,6). Assim, o Santuário do Bom Jesus, desde seus primórdios até os dias de hoje procurou ser fiel na transmissão da Verdade que foi comunicada para que tenhamos uma vida digna marcada pelo progresso e crescimento em todas as dimensões.

Permitam-me, que ao mesmo tempo em que façamos parte deste acontecimento, nos perguntemos o que venha a ser a comunicação na era da tecnologia de ponta?
Vale ressaltar que, as profundas transformações que acontecem, têm hoje alcance global e com isso, afetam o mundo inteiro, atingindo todas as dimensões da vida humana. Um fator determinante destas mudanças é a ciência e a tecnologia com sua capacidade de manipular a vida e de criar uma rede de comunicações de alcance mundial, tanto pública como privada. Estes fenômenos afetam a vida pessoal e a vida dos povos e das culturas inteiras.

Desta forma é possível perceber que a crescente fragmentação dos referenciais de sentido e a relativização dos valores, dão origem a critérios parciais e múltiplos na consideração das realidades da vida, nas opções religiosas e nos relacionamentos pessoais, gerando uma crise de sentido. O crescimento dos meios de comunicação de massa, além dos benefícios que traz, apresenta ao mesmo tempo o perigo de massificação.

Diante destas, e tantas outras realidades que poderiam ser aqui apontadas, surge um desafio de apontar, na era da tecnologia de ponta, aquilo que deve favorecer a dignidade da pessoa, a renovação da comunidade, fortemente marcada pela dimensão religiosa e a construção de uma sociedade justa e solidária.

A comunicação hoje não pode ser vista em si mesma. Ela é dirigida antes de tudo às pessoas e a um grupo de pessoas, que são detentores de uma cultura, de uma linguagem, de uma religião, de uma concepção de vida. Estas pessoas precisam conhecer e viver a sua vida conforme a verdade. Por isso, o primeiro compromisso da verdadeira comunicação é a comunicação da verdade! Os meios de comunicação são chamados a comunicar aquilo o que promova a dignidade da pessoa humana desde a sua concepção até a sua morte natural. Para nós cristãos e católicos, esta verdade tem a sua origem nAquele que sendo Palavra, portando, a comunicação amorosa de Deus, se fez carne e habitou entre nós (cf. Jo 1,14) e que disse também “Eu sou a verdade” (Jo 14.6) e “a Verdade vos libertará "(Jo 8,32)! A partir desta verdade construímos a verdade sobre o mundo e sobre o ser humano marcado hoje pelos avanços tecnológicos. E é preciso salvaguardar, neste mundo marcado pela tecnologia e pelas constantes conquistas, o compromisso com esta verdade, dialogando ao mesmo tempo, com outros valores apresentados por outras culturas e filosofias.

Esta comunicação, baseada na Verdade, é uma comunicação que tende renovar a comunidade. Diante das tentativas de inversão de sentido da experiência religiosa, da apresentação da visão utilitarista da religião, diante da banalização da religião reduzida muitas vezes a um espetáculo para entreter o publico, diante da prática de tentativa de fechar a religião apenas na sacristia ou na esfera privada, a comunicação baseada na verdade tende a renovar as comunidades valorizando a rica experiência religiosa tão presente no meio do nosso povo. A verdadeira comunicação tende ver a religião não como um ópio do povo ou como um campo de se fazer um bom negócio, mas como uma realidade portadora de valores éticos e cívicos capazes de renovar a própria religião, a sociedade lapense e as estruturas existentes.

Esta comunicação, baseada na Verdade deve participar da construção de uma sociedade justa e solidária. Diante da fragmentação da sociedade, da crescente lógica do individualismo pragmático e narcisista, dissociado dos valores e da ética, geradores de uma cultura da morte, a verdadeira comunicação é chamada a participar na construção de uma sociedade justa e solidária, “para que todos tenham Vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Esperamos que a festa de entrega do Troféu Parceiro da Comunicação 2009 seja para todos os que trabalham no campo da comunicação, um incentivo para comunicar a verdade. Pois só ela é capaz de libertar o homem, o comunicador e a própria comunicação e favorecer a vida, como precioso dom a ser vivido e comunicado, na espera de comunicação total com o Doador da Verdade, Deus (Bom Jesus da Lapa, 07 de novembro de 2009).

 

A beleza da comunicação imparcial

Por Pr. Sebastião Gonçalves

Passado o glamour da requintada noite do último dia sete de Novembro, quando o Jornal VISTO, o mais conceituado da região na sua terceira edição do Troféu Parceiros da Comunicação, realizou no Hotel Panorâmico, uma noite impecável. Onde entidades e/ou personalidades foram contemplados pela suas colaborações com este notável veículo de comunicação. Sem sombra de dúvidas foi um evento esplendoroso. Graças a Deus por todos os meios de comunicação que tem surgido nesta cidade, pois estes pluralizam a comunicação, quebram monopólios sem, contudo, usurpar ser utilitarista, intrasigentes e manipuladora. A graciosidade da comunicação é sempre informar e não aleijar. Esclarecer e não camuflar. A comunicação informa e não deforma, a comunicação privilegia aqueles que sonham com uma comunicação imparcial, permitindo que os amantes da leitura tenham uma visão ampliada. A mídia possui papel preponderante a ponto de definir os assuntos sobre os quais as pessoas conversam dentro de casa, na praça ou no trabalho. Desse modo tem o poder de selecionar e definir temas, estabelecendo prioridades.

Não é à toa que nós os evangélicos (eu prefiro dizer, os crentes) temos o maior e melhor instrumento de divulgação da verdade, que é a Bíblia Sagrada, a palavra de Deus. Mas foi cumprindo a ordem de Cristo que os discípulos se empenharam na divulgação da mensagem de Deus. O “ide e pregai” (Mat. 28.19) desencadeou uma revolução mundial extraordinária, libertando o povo que vivia sedado e cego por uma verdade de indulgencias, e opressão, de dogmas impostos por aqueles que detinham o poder e o monopólio da comunicação. O mundo mudou e continua mudando à medida que os meios de comunicações se abrem para o Evangelho do Cristo Ressurreto, que liberta e transforma seja divulgado. Isto foi contemplado por milhares de vidas que compareceram a Cruzada Boas Novas na Praça da Feirinha nos dias 6 a 8 de Novembro. Muitas vidas curadas, transformadas sem necessidade de nenhum amuleto, nem muito menos indulgenciam por estas dádivas, Pois quem realizou estes grandes milagres, não foi homem, mas foi o único santo, que não precisa de mediadores, Cristo Jesus.

Foi com a visão de comunicar um evangelho para todos que o mentor desta grande máquina de fazer comunicação, (Gutenberg) ao concluir a sua obra, “a imprensa”, desejou primeiro por imprimir a Bíblia Sagrada reconhecendo que o conteúdo completo, e não multifacetado, particularizado, teria durabilidade, profundidade e clareza, poderia iluminar e chegar às mãos de todas as classes, indistintamente. E a Bíblia é sem sombra de dúvidas um dos livros mais impressos no mundo. Por isso nós cristãos evangélicos amamos, veneramos e com ajuda do Espírito Santo procuramos colocá-los em prática.

E os cristãos evangélicos têm dado um novo tom em todas as camadas da sociedade e ao redor do mundo, levando paz e harmonia às famílias e às sociedades; aonde o evangelho de Cristo chega há transformação, pois é o poder de Deus para transformar a todo aquele que crê (Romanos 1.16). Crê, não numa entidade, numa instituição, num ser humano fadado ao fracasso, mas no Cristo que vive. Sua mensagem não tem compromisso com misticismo, nem muito menos com o ocultismo.

Por isso é dada a responsabilidade social que possui, o mínimo que se espera da comunicação é que faça o necessário para contribuir com a melhora da sociedade como um todo, melhorando, por exemplo, a sua agenda de debates. A mídia, seja qual for, tem papéis fundamentais no desenvolvimento de um povo e, por conseguinte da humanidade, principalmente em função da socialização da informação, da democratização do conhecimento e do direcionamento psicossocial. Ou seja, as diferentes mídias ou meios de comunicação devem assumir para si o papel fundamental de elevar o nível de informação e conhecimento da população tornando-a intelectualmente mais desenvolvida. As diversas mídias devem ter, pelo menos, três características; durabilidade, profundidade e clareza. Com isso, dará àqueles que possuem a capacidade de ler, reler, meditar e analisar o que for produzido e registrado.
Em se tratando de comunicação, temos ao menos a comunicação informativa, a investigativa e a opinativa. Um dos grandes problemas é quando algumas delas vêm disfarçadas e camufladas, e principalmente quando o público não sabe discernir entre elas assumindo a informação obtida como verdadeira, sem condições de análise e crítica. Outro grande perigo é quando a comunicação induz à miopia e à excentricidade, espalhando pânico, medo, induzindo sorrateiramente ao erro.

E os membros da OPEL sentiram se prestigiados pelo reconhecimento, uma vez que não podemos viver o presente sem lembrarmos-nos do passado, sem tentar ser saudosistas, pois aqueles que foram vitimas de perseguição, escárnios, zombarias, e apedrejamentos por causa da intolerância religiosa, certamente não gostariam de sofrer duas vezes, mas diante deste fatídico, e vergonhoso passado, impuseram sobre nós, estamos contemplando dias melhores, temos sido reconhecidos no presente, não por intolerância religiosa, nem muito menos por perseguir e matar quem pensa e crê diferente, pois o verdadeiro evangelho de Cristo é o evangelho do amor, do perdão, do respeito, da tolerância, até mesmo com aqueles que vivem uma dualidade verdade e mentira. E os verdadeiros discípulos de Cristo encarnam estes princípios como lei áurea, ainda que tenham alguns pseudos discípulos que não prezam por isso, nem mesmo assim estes princípios se tornam obsoletos, pois aquele que conquistou, comprou com o seu próprio sangue na cruz do calvário. Portanto diante desta perspectiva futurística, queremos agradecer a Deus por estar mudando a história do seu povo nesta cidade.

Certamente estas noites ficarão marcadas na história desta cidade, e como os frutos já foram vistos no presente como dignos de nota, podem esperar que o futuro seja excelente, promissor. Parabéns a todos os parceiros da comunicação, em especial aos mentores deste semanário. Que o Eterno continue iluminando as vossas mentes, enchendo suas vidas da paz que excede a todo entendimento (Pastor Sebastião Gonçalves é presidente da OPEL).

 

FIGURAS & FIGURAÇAS do anedotário universal: MAQUIAVEL & JOSÉ SARNEY (a arte da astúcia)

Autor: Luiz Flávio Gomes

Maquiavel foi figura de proa em sua época (século XVI). Descreveu com precisão ímpar os meandros da política e dos políticos. A atualidade de sua obra (escrita nos primeiros anos de 1500) continua indiscutível. Ninguém narrou o âmago da ambiência política como ele. É um clássico (embora muito mal interpretado ou ignorado). Figura de proa indiscutível, que disse: "todo príncipe (ou seja: todo político) deve saber comportar-se como homem e como animal (...) é necessário ter-se por professor um ser meio homem e meio animal (...); um princípe (o político) deve saber usar dessas duas naturezas, nenhuma das quais subsiste sem a outra. É preciso ser um pouco leão e um pouco raposa. Quem mais sabe imitar a raposa, mais proveito tira. "Mas é preciso saber mascarar bem esta índole astuciosa, e ser grande dissimulador" (Cap. XVIII, de O Príncipe).

O político, em suma (leia-se: o príncipe), caso dê ouvidos para Maquiavel, deve ser e aparentar ser honesto, íntegro, leal etc. Mas se não for, pelo menos nunca pode perder a aparência.

Por tudo que vemos no nosso dia-a-dia, o normal, no mundo político, tem sido não ser honesto, íntegro etc. Mas nunca o político pode deixar de aparentar sê-lo. O discurso político, normalmente, está desconectado da prática. O político fala uma coisa e pratica outra (como regra geral). Mas não pode dar escancarada aparência disso.

Quem bem captou essa dupla personalidade ou esse "jogo duplo da política" foi o antropólogo Roberto DaMatta (A Casa & A Rua, 5.ed., Rio de Janeiro: Rocco, 1997, p. 87), que escreveu: "É que o discurso público é realizado utilizando-se um idioma liberal-universalista: fala-se de fato aos cidadãos do país. Mas a prática política se faz dentro de um outro quadro de referência e segue uma outra lógica. Aqui o qaudro é dos amigos e correligionários que, uma vez no poder, terão tudo! E a lógica é a das lealdades relacionais que não têm compromisso legal ou ideológico".

A massa (o povão) sabe disso e vê na atividade política um jogo fundamentalmente sujo, onde existe tudo, menos ética. É característica da sociedade brasileira, mas sobretudo do político brasileiro, o "combate entre o mundo público das leis universais e do mercado e o universo privado da família, dos compadres, parentes e amigos" (DaMatta, p. 85). Praticamente todos os políticos comportam-se dessa maneira (fazem um determinado discurso, mas na prática é outra coisa). Inclusive quando eles fazem suas críticas, aparentam integridade, honestidade etc. Na prática, no entanto, o dicurso é outro.

Qualquer político brasileiro, dessa forma, encaixa-se fácil no figurino do "jogo duplo". Qualquer um poderia, então, ser citado como exemplo. Mas a bola da vez é José Sarney.

No nosso país não existe lugar mais privilegiado para se constatar a desconexão entre o discurso e a prática do Sarney que a página A2 da Folha de S. Paulo, nas sextas-freiras. Nela o Senador escreve sua coluna semanal (você pode não acreditar mas ele ainda continua sendo colunista da Folha). Seus discursos são deliciosamente republicanos, fantasticamente internacionalistas, dignamente respeitosos dos direitos humanos (que figura de proa é o Sarney em seus artigos). Ladrões, em suas colunas, são sempre "os outros". Mas é interessante notar como que ao lado da sua coluna vem sempre uma enxurrada de denúncias, acusações, increpações, vitupérios e censuras contra as falcatruas e trambicagens a ele atribuídas.

Nesses tempos de desapontamento e incredulidade geral, a A2 da Folha, nas sextas, tornou-se imperdível, porque é nela que você vê as múltiplas faces das criaturas (especialmente dos políticos), ou seja, o rosto e a máscara (a persona), o discurso e a prática, o honesto e o desonesto, a virtude e a pilantragem, o público e o privado, o homem e o animal, enfim, a casa e a rua, no dizer de DaMatta etc.

No dia 26 de junho de 2009, por exemplo, o Sarney liberal, universalista, internacionalista, escritor, membro da Academia Brasileira de Letras etc., defendendo os direitos das mulheres no Irã (veja que causa mais fantástica para se defender!), discursou: "Isso mostra que nem as mais cruéis tiranias, mesmo as teocráticas, resistem às ideias de liberdade e igualdade" (p. A2). Olha o homem falando em igualdade, liberdade! (só faltou a fraternidade para se repetir a trilogia da revolução francesa). Na coluna ao lado, Eliane Castanhêde (mostrando o quanto a prática sarneyista se opõe ao discurso) escreveu: "Ao se trancar em casa, sem condições políticas e psicológicas de ir ao Congresso ... Sarney começou o movimento de saída do cargo, empurrado pela crise que é dele e da instituição. A história se repete" (comparava-o a Jader, ACM e Renan, todos renunciantes).

Outro dia, discursando sobre a violência na América Latina, Sarney soberbamente sublinhou: "Mas a revelação maior é a de que o nosso continente é dominado pelo crime organizado, por narcotraficantes e pela guerrilha política ... a violência, suas causas e seus meios ainda necessitam de uma tomada de decisão política forte. O convívio com a morte criminosa nos torna indiferentes e, assim, coniventes. Precisamos tirar as pedras em que se transformaram os nossos corações" (Folha de S. Paulo de 29.05.09, p. A2). Clóvis Rossi, na mesma página A2 (no dia 25.06.09), disse: "Fora Sarney é pouco ... A única maneira de enfrentar o escândalo é chamar a Polícia Federal e o Ministério Público para fazer uma varredura completa nesse aparelho clandestino que apenas por inércia chamamos de Senado ... e a Câmara não é muito melhor".

O francês Fernand Braudel bem sintetizou essa labilidade (ambiguidade e duplicidade) comportamental do brasileiro: "O Brasil é um estranho país. O governo às vezes não é grande coisa, as instituições são o que se sabe. Mas a amizade é uma coisa muito sólida, uma coisa muito séria". Sarney e todos os políticos brasileiros sabem bem disso. Conclusão: você é sua pessoa e suas relações (consoante a tese de DaMatta). Mas é um em casa e outro na rua (um na teoria e outro na prática, um no discurso e outro no dia-a-dia dos atos secretos). Assim são eles, os políticos. Mas assim não seríamos todos nós, os brasileiros (?)

 

Agora é lei: não pode bater em professor

Por Marcelo Souza

Seria engraçado esse título se fosse uma pegadinha, ou o dia da mentira, mas é fato: tiveram que criar uma lei especial para proteger o professor no exercício da sua profissão. A primeira experiência do ser humano na sua construção cidadã acontece na escola.A tia do maternal que gentilmente nos ensina as cores e formas, as primeiras letras. Depois, a criança inicia o conhecimento das fórmulas aritiméticas, a geografia, história, o desvendar de um universo desconhecido e fascinante, todos pelas mãos da professora. Já melhor preparado o aluno ou aluna passa a frequentar níveis mais elevados no espaço do saber. É quando em alguns casos, felizmente não é a maioria, surge uma besta fera que desconsiderando tudo que foi transmitido como conceito de convivência social, engrandecimento humano e educação passa a atacar física e moralmente aquele que foi o condutor do saber. É desumano criar lei que proíba agressão à professores, pois somente um animal não humano teria essa conduta, e há quem a tenha. O Senador da República do Rio Grande do Sul Paulo, Pain (PT), através do Projeto de Lei do Senado n° 191/09 criou lei específica que tipifica como crime a prática de violência contra professor. Será considerada violência contra o professor "qualquer ação ou omissão decorrente da relação de educação que lhe cause morte, lesão corporal ou dano patrimonial, praticada direta ou indiretamente por alunos ou seus pais ou responsáveis. Quando constatada violência, os alunos acusados poderão ainda ser proibidos de se aproximar do professor ofendido ou de seus familiares". A lei também tipifíca como crime a ação dos pais ou responsáveis pelo aluno, prova de fato que aqueles que detêm o pátrio poder ou o dever de zelar pela educação e boa conduta dos alunos também estão praticando esse crime. O Projeto de Lei garante ao docente proteção da autoridade policial e atendimento médico e realização de perícia no Instituto Médico Legal. Ao agressor menor de idade, prevê a aplicação do disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente como medida sócio educativa, já que menor não pode ser punido criminalmente pelos atos praticados. Caso ele seja maior de idade, fica a cargo do Ministério Público tomar providências, tendo por base os dados do boletim de ocorrência ou relatório policial. Se necessário, determina ainda o texto legal, a Justiça poderá encaminhar o professor ofendido a programa oficial ou comunitário de proteção ou assistência, além de determinar a manutenção do seu vínculo trabalhista por até seis meses, quando houver o afastamento do local de trabalho. Essas aberrações socias acorrem por conta do descaso, omissão ou o que é pior: da participação da família, pois é dentro de casa que a educação deve ser iniciada. O espaço de educação formal, ou seja, escola ou faculdade é o meio para que a pessoa adquira conhecimentos específicos de cunho científico, ajudando na formação moral e intelectual da pessoa. Pais que mandam filhos para a escola transferindo para aquela instituição a atribuição de fazer de seus rebentos seres humanos melhores estão deixando de fazer seu dever de casa pois, filhos, temos porque queremos. Nessa mesma linha de coibir a agressão existe a PLS 251/09, de autoria da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), que autoriza o governo federal a implantar em articulação com os Estados, os Municípios e o Distrito Federal - o Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas (Save), esse sistema atuará prioritariamente na produção de estudos, levantamentos e mapeamento de ocorrências de violência escolar. Fica aqui a reflexão: educação pra quê?

 

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